Vozes que Não se Calam
O sol mal havia surgido no horizonte quando Lara acordou com o som da chaleira apitando na cozinha.
Ainda envolta no calor do edredom, ela ouviu os passos de Artur no piso de madeira e o sussurro abafado da voz dele ao telefone.
Levantou-se devagar, puxando o casaco de lã e indo ao encontro daquele novo cotidiano que, apesar das tormentas, se tornava cada vez mais o seu lugar de verdade.
Na cozinha, o aroma do café misturava-se ao cheiro levemente cítrico das cascas de