Mundo de ficçãoIniciar sessãoFelipe chegou ao apartamento de Rafaela trazendo o sorvete favorito dela. Tudo o que desejava era uma noite tranquila ao lado da mulher que amava.
Destrancou a porta e entrou, sendo imediatamente envolvido pelo aroma da comida que vinha da cozinha.
Deixou o terno sobre o sofá. Naquela noite, nem se preocupou em levar uma troca de roupa. Depois de tantos meses, já tinha camisas, calças e até alguns objetos pessoais espalhados pelo apartamento dela.
Seguiu até a cozinha.
Rafaela sorriu assim que o viu.
— Trouxe a nossa sobremesa. Passei o dia inteiro com saudade de você. Hoje eu só quero ficar ao seu lado.
Felipe aproximou-se e a beijou. Rafaela ainda fingiu reclamar da ousadia, mas bastou sentir os lábios dele tocarem os seus para um arrepio percorrer seu corpo inteiro.
— Vai tomar banho. O jantar já está quase pronto. Separei uma roupa para você e deixei em cima da cama. Imaginei que viesse sem nada.
Ela se afastou com um sorriso discreto e voltou a mexer as panelas.
Felipe aproximou-se outra vez, envolvendo sua cintura.
— Vou me trocar rapidinho. Estou morrendo de fome...
Então inclinou-se até o ouvido dela e completou, em um sussurro:
— ...e não é só da comida.
Rafaela sentiu o rosto corar.
Mesmo depois de tantos anos, aquele homem ainda tinha o dom de deixá-la completamente sem jeito.
Felipe sorriu, satisfeito com a reação dela, e seguiu para o quarto, deixando-a terminar o jantar.
***
Antonella vestia o pijama em Lorenzo, que naquela noite parecia mais inquieto do que o normal.
Durante o jantar, ele havia perguntado pelo pai.
Ela inventou uma desculpa qualquer , para distraí-lo, contou que, no dia seguinte, viajariam até a fazenda dos avós para almoçar com a família. A notícia foi suficiente para acalmar o menino.
A cada dia que passava, Lorenzo ficava mais parecido com Felipe.
Não apenas nos traços do rosto, mas também na personalidade. Inteligente, observador e determinado, ele admirava o pai acima de qualquer outra pessoa.
— Mamãe... a vovó Helena disse que, quando eu crescer, vou ser um homem de negócios igual ao papai. O que isso quer dizer?
Antonella sorriu.
Lorenzo era esperto demais para a idade. Crescia cercado por conversas de adultos e fazia perguntas que surpreendiam até mesmo os mais velhos. No ano seguinte começaria a estudar, e Felipe já fazia planos para matriculá-lo nas melhores escolas, sonhando, desde cedo, com a melhor universidade para o filho.
Ela acariciou os cabelos do menino.
— Significa que você pode se tornar um homem muito inteligente, responsável e talentoso, assim como seu pai. Mas, por enquanto, sua única obrigação é dormir. Já passou da hora de fechar esses olhinhos, senhor Martinelli.
Lorenzo deu uma risadinha.
Abraçou a mãe com força.
— Fica comigo até eu dormir?
— Sempre.
Antonella deitou-se ao lado do filho, fazendo carinho em seus cabelos até sua respiração ficar lenta e tranquila.
***
— Essa comida está diferente.
Felipe levou mais uma garfada à boca.
— Diferente como?
Rafaela arqueou uma sobrancelha.
— Melhor. Muito melhor.
Ela riu.
— Bobo. É o mesmo molho de sempre. Só tive mais tempo para preparar tudo com calma hoje.
Enquanto terminavam o jantar, Rafaela perguntou:
— E a reunião? Como foi?
Levantou-se para recolher os pratos, enquanto Felipe começou a limpar a mesa.
Por um instante, ele pensou em comentar sobre Bruno.
Mas Rafaela desconhecia toda a história envolvendo Isadora. Aquilo fazia parte de um passado que Felipe preferia manter distante. Bruno seria apenas um parceiro profissional, e Antônio parecia ter gostado bastante dele.
Não havia motivo para trazer aquele assunto para dentro daquela casa.
— Foi tudo bem. Meu pai e o diretor se entenderam muito bem. Acho que essa parceria vai render bons frutos. É mais um passo para manter vivo o trabalho que meu avô construiu.
Pegou um pano e começou a secar a louça que Rafaela lavava.
Naquele pequeno apartamento, ele deixava de ser o empresário cercado de responsabilidades.
Ali era apenas Felipe.
Um homem cansado do peso que carregava... e completamente apaixonado pela mulher à sua frente.
— E você? Como foi seu dia no hospital?
Rafaela sorriu com ternura.
— Hoje uma das meninas recebeu alta.
Sua voz ficou mais suave.
— Você não imagina a alegria que sinto toda vez que vejo uma criança deixando aquele hospital. É como se um pedacinho do meu coração também fosse embora... em paz.
Felipe observou o brilho nos olhos dela.
Era justamente aquela delicadeza que o fazia amá-la ainda mais.
Quando terminaram a louça, Rafaela largou o pano de prato sobre o fogão e caminhou até ele.
Envolveu sua cintura.
— Você vai mesmo ficar a noite toda comigo... desta vez?
Felipe segurou seu rosto entre as mãos.
Beijou sua testa.
Depois a ponta do nariz.
Por fim, seus lábios.
— A noite inteira.
Sorriu contra a boca dela.
— Quero aproveitar cada minuto ao seu lado.
Sem esforço, tomou-a nos braços.
— Felipe!
Ela riu, assustada.
— Você ainda vai me derrubar.
— Nunca.
A resposta saiu firme, carregada de um significado que ia muito além daquele instante.
Ele a levou até o quarto e a colocou delicadamente sobre a cama.
Antes de voltar para ela, caminhou até a porta e a trancou.
Quando retornou, deitou-se ao seu lado.
— Você viaja na semana que vem, não é?
Rafaela perguntou, acariciando o rosto dele.
— Sim. Vou para a Argentina. Mas volto rápido. Antes disso, vou passar alguns dias com o Lorenzo na fazenda. Por isso queria tanto viver essa noite com você.
Ela permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Depois começou a desfazer lentamente os botões do pijama.
Felipe acompanhava cada movimento com um olhar cheio de desejo e, principalmente, de admiração.
Não era apenas o corpo dela que o encantava.
Era a mulher inteira.
A mulher que o acolhia quando o mundo parecia pesado demais.
Rafaela sorriu ao perceber que ele não desviava os olhos.
— Vou sentir sua falta.
Ela acariciou seu rosto.
Felipe segurou sua mão e beijou seus dedos.
— Eu também.
Depois encostou a testa na dela.
— Vou ligar todas as noites. Quero ouvir sua voz antes de dormir.
Ela fechou os olhos.
— Promete?
— Prometo.
Os dois permaneceram abraçados por alguns instantes, deixando que o silêncio dissesse aquilo que as palavras já não conseguiam expressar.
Quando seus lábios voltaram a se encontrar, o beijo foi lento, intenso e carregado de saudade antecipada.
Cada toque era uma declaração silenciosa.
Cada abraço parecia tentar impedir que o tempo continuasse correndo.
Naquela noite, mais do que desejo, havia entrega.
Mais do que paixão, existia o medo da distância e a necessidade de guardar um no outro a certeza de que, apesar de todos os obstáculos, aquele sentimento permanecia vivo.







