Rafaela terminava de arrumar a mala para voltar para casa. O fim de semana com os pais havia sido agradável, mas, como sempre, terminara da mesma maneira: Vagner e Flora insistindo que a filha, prestes a completar trinta anos, ainda não tinha namorado, marido ou filhos.Para eles, era inconcebível que alguém dedicasse tanto tempo ao trabalho e tão pouco à vida pessoal.— Filha, você tem uma profissão excelente, dois bons empregos... Mas por que nunca conhecemos um namorado seu?Flora perguntou enquanto dobrava algumas roupas sobre a cama.Vagner, sentado na poltrona ao lado da janela, apenas concordou com um aceno de cabeça.— Sua mãe está certa. O trabalho é importante, mas a vida passa depressa.Rafaela soltou um sorriso paciente.— Vocês dois combinaram esse discurso, não foi?— Não precisa combinar quando é verdade — respondeu Flora, cruzando os braços.Antes que a filha pudesse retrucar, a porta do quarto se abriu novamente. Flora entrou carregando duas sacolas.— Trouxe alguns t
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