EDWARD PORTMAN
Milena chorou por um tempo que não soube muito bem medir.
Os soluços começaram altos, descontrolados, aquela coisa feia e honesta que ninguém quer mostrar para ninguém, o que me restou apenas segurá-la com as mãos firmes nas costas dela e o queixo apoiado no topo da cabeça desgrenhada.
O cheiro do shampoo dela, alguma coisa com flor de laranjeira, que reconheci de outra vez, misturava-se ao vapor do molho que esfriava no fogão e ao jazz que continuava a tocar, indiferente ao dra