Marco
A primeira coisa que percebi naquela manhã não foi o telefone tocando.
Foi o silêncio da casa.
Luna ainda dormia no quarto ao lado, o repouso imposto pelo médico transformado em uma pausa forçada que eu respeitava com disciplina quase obsessiva. Teresa já estava acordada, eu sabia disso pelo som baixo da cozinha, mas havia algo suspenso no ar, como se o dia tivesse começado sem pedir permissão.
O telefone tocou pela terceira vez antes que eu atendesse.
— Fale — disse, sem rodeios.
— Temos