Capítulo 2

— Tu precisas inspecionar mais a velocidade ao acertares o adversário. — Explica meu treinador, também um grande amigo. Conheço Fred desde que estabeleci pés e cabeça, aqui no Queens. Não foi fácil ser expulso de casa com uma mochila nas costas e só 17 anos no cartão de identidade.

— Ok. Treinamos quarta-feira. — Respondo de saco cheio de ter que escutar até aqui no bar o conversar sobre trabalho, mantenho meu olhar fixado em uma mulher de cabelos pretos, dando sorrisos na minha direção desde que chegamos.

— Durante todos estes anos ainda não percebi o porquê de só desejares ficar com as morenas. — Contesta Fred bebendo seu Whisky, já que depois do treino decidimos passar aqui num dos meus bares que depois da meia-noite vira uma discoteca.

Tony ao seu lado dá um sorriso de conhecimento, e, aí está o outro meu melhor amigo, além de ser primo, conhecemo-nos desde crianças e assim como eu, foi afastado quando deixou visível suas opiniões e planos de vida.

— Um dia quem sabe. — Pronuncio caminhando até a mulher que me come com os olhos. — Olá, gata. — Cumprimento pondo a minha mão nas suas costas e fazendo uma pressão deliciosa em seu corpo que está moldado no vestido curto e provocador.

— Madeleine. — Diz seu nome, mas não digo o meu, não quero nomes, só que venha comigo até à cabine mais próxima de algum banheiro e não demora muito para fazer isso. — És gostoso, mas ainda não disseste o teu nome. — Fala quando retiro o preservativo do meu pau ainda duro, verifico se vazou algo para depois o deixo cair dentro da sanita puxando a água reparando o mesmo a ir com a descarga.

— Fica para a próxima, gata. — Digo por cima dos insultos da mulher e saio do banheiro dando risada.

— Já fodeste? — Questiona Tony bebericando seu copo de Whisky. — Podemos ir? — Pergunta já levantando do banco do bar.

— Temos que ir mesmo está quase na hora. — Fala Fred olhando para seu relógio.

Quando chegamos ao carro de Fred, começo a vestir o casaco de treino, que é muito mais largo do que necessito para o meu corpo, mas é apropriado para os dias de luta, onde tapa o rosto com o capuz, mantenho-me em silêncio perdido em pensamentos vagos, mas com algo predominante: a escurinho.

— Hey, sei que não é a melhor hora, mas, Emma está com problemas. — Tony que é da idade da garota avisa fazendo-me parar no meio do caminho quando caminho para a cage prestes a iniciar uma nova luta depois de outras duas, esta é a final.

— Não é hora para isso! Rabo de saia agora não importa. — Rebate Fred empurrando meu corpo para a frente para passar pelo corredor onde a multidão tenta tocar em alguma parte do meu corpo.

E, por mais que deseje libertar-me das luvas e em seguida do bucal para conseguir perguntar que merda se passa com a minha menina, não tenho tempo ao ouvir o meu nome ser aplaudido pela plateia com euforia.

O primeiro round nós dois tentamos acertar vários socos e pontapés um no outro, mas nada que nos faça desistir ou cair. Depois de várias tentativas, meu oponente dá os primeiros sinais de cansaço, seus movimentos tornam-se desleixados e aproveito a distração para o deitar abaixo e acabo por rematar com mata-leão, o adversário ainda tenta virar o jogo, mas o árbitro entrega-me a vitória, já que permaneceu demasiado tempo no chão.

Mal, o árbitro ergue o meu braço, afasto-me saindo pelo meio das fitas, e tenho rapidamente a equipa técnica toda à minha volta, mas o meu olhar está preso em Tony, inquieto.

— Vai tomar banho, tem tempo o que precisámos conversar. — Pede apontando para os chuveiros individuais como se soubesse que estou pronto para protestar.

— Agora! — Peço depois de tomar banho, depois do tempo agonizante que levou da Hakakã até aqui em casa. Tony mora duas casas abaixo da minha, mas quase sempre tanto ele como alguém da equipa técnica aparecem por aqui em casa, tornando-a um praticamente um ponto de encontro de todos.

— Menino, tudo bem? — Pergunta Liz, uma senhora de quase 50 anos tocando no meu ombro carinhosamente.

Deparei-me com ela e seu carinho quando tinha uns 20 anos. Ela é aquele tipo de pessoa que continua tratando um homem, de barba com cara aterradora de menino, mesmo que esse tenha quase trinta anos.

— Sim. — Digo sentando no sofá reparando que já caminha até nós com uma garrafa de água e uma cerveja. — Obrigado. — Agradeço depois de beber um pouco da água gelada.

— Está bem mesmo, menino? — Questiona pretendendo ter a certeza, ao que dou um sorriso. — Se precisar de mim podes chamar-me no quarto, vou descansar que meus pés estão me matando.

— Ela precisa ir a um médico. — Rebate Tony depois de dar um beijo na testa da senhora amorosa.

— Eu sei, mas é teimosa.

— Por isso, se dá tão bem connosco. — Comenta bebendo mais um gole do gargalo da cerveja. — Vou contar de uma vez porque quero ir para casa rápido.

— Estou à tua espera, há quase uma hora e meia. — Respondo passando as mãos nos cabelos, para os prender mesmo que ainda estejam molhados.

— Os pais de Emma querem que ela case. — Informa e deixo cair a garrafa de água com a rapidez que me levanto.

— Eles não são capazes disso! — Exponho, mas depois penso na forma como sempre trataram Emma, aquela menina de sorriso fácil, que me fazia desejar pelas tardes depois das aulas.

— Tu sabes que sim, assim como os teus pais e os meus. — Diz inclinando seu corpo contra o sofá. — Mas não acaba por aqui.

— Diz de uma vez! — Reclamo por seu silêncio, aproximo da janela enorme que fica ali na sala que dá para observar o jardim, este que por sinal tenho que procurar alguém para o cuidar.

— Eles queriam casá-la com o teu irmão. — Informa ao que me aproximo da almofada gigante que tem em frente da janela e deixo-me cair nela. — Pelo que Oleg disse depois que ela saiu e os teus pais e irmão também, o casal começou a discutir. A mãe dela expôs que a filha não era louca e nem burra como ela em aceitar um casamento naqueles termos, aí tu já sabes como é, James a agrediu depois saiu de casa possivelmente para ir ter com alguma das amantes.

— E Emma? Meu irmão só tem 12 anos, porra!

— Não sei, irmão. Oleg contou que o pai da garota ficou possesso quando o enfrentou. — Diz para minutos a seguir despedir-se ao perceber que estou com os pensamentos todos misturados.

Quando deito são quase 4 horas da manhã e mesmo assim fico movendo de um lado para o outro na cama, inquieto não só de corpo, mas em pensamentos.

— Bom dia, menino. — Cumprimenta-me Lizz com o seu sorriso habitual. — Melhor dizendo quase boa tarde. Descansaste bem? — Questiona como sempre desde que a conheci preocupada com o meu bem-estar.

— Meus pensamentos quase não me deixaram fechar os olhos, Lizz. — Comento porque gosto de conversar com ela, e um dia muito no passado, desejei de ter a intimidade que tenho com esta senhora com a minha mãe.

— Então? Queres conversar, Tayler? — Questiona sentando em minha frente na mesa servindo-se também de uma caneca de café. — Vamos lá, dá conteúdo a esta velha. — Incentiva dando batidinhas em minha mão.

— O que fazer quando nunca se esqueceu uma garota desde criança? — Questiono sem medo, porque com ela não tenho que o ter, não me julga mesmo com a minha cara feia.

— Está falando da senhorita Emma? Aquela menina de cabelos e olhos pretos como a noite? — Indaga com um sorriso.

— Sim.

— Eu já te vi a olhar fotos e vídeos dela, nessa coisa de redes sociais. — Diz fazendo careta, já que é contra as novas tecnologias. — Já estiveste com ela desde que saíste de casa?

— Não. A vi várias vezes, mas ao longe, então provavelmente nem deve lembrar mais de mim. — Digo pesaroso com esse pensamento que atravessa o meu coração.

— Como sabes disso? Assim como não a esqueceste ela também pode nunca ter esquecido o amigo com quem brincava. — Fala pousando a caneca olhando-me atentamente.

— Não brincava com ela, eu irritava-a. — Digo com um sorriso. — A chamava de EMM, ou de escurinho e ela corria atrás de mim, batendo com aquelas mãos pequenas. — Falo sorrindo com as lembranças, de quando correu tanto atrás de mim, e de repente foi contra o móvel, cortou-se na mão direita, ficando com um corte bem grande nas costas da mesma perto do dedo indicador. Gostava de saber se ficou com alguma cicatriz, porque esse foi um dos motivos para a pequena levar um estalo mesmo com a mão a escorrer sangue.

— Ainda gostas dela depois de tanto tempo? — Questiona-me puxando dos pensamentos.

— Julgo que sim. Mas, ela não vai querer olhar para a minha cara, por isso é só uma boa recordação daqueles tempos.

— Se for para ser será. E tu não és assim tão assustador. — Comenta ao que ergo uma sobrancelha ao que gargalha ao erguer-se. — Pronto, és um bocadinho assustador.

— Obrigado, Lizz. Por sempre estares aqui para mim. — Digo quando toca nos meus cabelos com carinho e seguro a sua mão.

— Ah, menino, quem o vê assim, nem acredita que tem um bom coração. É o menino que nunca tive. — Fala dando um beijo em minha testa e vira para o fogão, mexendo nas panelas.

Quarta-feira

— Tayler! — Grita Fred pela centésima vez ao que suspiro, caindo no chão, depois de três horas de treino intensivo. — Que merda, está acontecendo? — Questiona aproximando-se do tatami, descalço.

— Nada se passa. Preciso descansar. — Respondo tirando a t-shirt de alças, larga debaixo dos braços, mas que mesmo com o pequeno pedaço de pano e com todo o treino estou completamente suado.

— Fodasse, Tayler. Tens uma luta hoje. — Diz e passa as mãos nos cabelos entendendo que estou disperso em pensamentos.

— E não é porque tenho luta que vou cansar aqui a treinar. — Rebato caminhando para o balneário.

— Tu estás bem? — Indaga Tony, depois de uma tarde em minha casa, onde tentamos inutilmente persuadir Lizz a deslocar-se ao médico, sem resultado e não podemos insistir mais porque tenho luta às 21.00h.

— Sim. — Respondo sentado, esperando que alguém da equipa técnica comece a retirar os piercings das orelhas, do nariz e o do mamilo, já que não preciso tirar mais nenhum para a luta pelo menos não com as mãos de outra pessoa além das minhas.

— Temos problemas. — Avisa um do membro da equipa, Wagner que por sinal também é o médico.

— Como assim? — Questiona Fred ao caminhar até o homem que possui o cabelo em um tom de vermelho-escuro, e um dragão tatuado no pescoço.

— O adversário do T, é diferente.

— Que? — Entro na conversa ao que Fred ergue a mão, ele não é tão alto como eu, mas sabe várias formas de me colocar no chão antes que consiga raciocinar, então espero calmamente para que explique o que está a acontecer.

— Tu não vais lutar. — Informa Fred enfurecido tirando o seu telemóvel do bolso da calça militar, e como não sou bom em receber ordens aproximo-me da porta para ver se encontro o meu novo e desconhecido oponente.

— É aquele enorme ali? — Questiono, mas Fred não tem a atenção em mim, mas Wagner sim, que acena em afirmação.

— Tu não vais lutar com um tipo, superior não só em peso como em destruição. — Avisa Fred parecendo ler os meus pensamentos.

— Eu vou. — Digo ao que meus amigos e os poucos que estão circulando por aqui da minha equipa técnica olham-me como se estivesse a observar uma assombração em meu corpo.

— Irmão, tu não podes. — Fala Tony, ele é da minha altura, mas mais magro, pelos menos tem uns 80 quilos, seu cabelo é castanho-claro, curto ao contrário do meu que vai quase até o meio das minhas costas.

— Tenho quase 100 quilos. — Comento dando de ombros ao que Fred dá uma risada não acreditando no que estou a pretender.

— Tayler, aquele homem pôs um dos oponentes em coma, e o outro numa cadeira de rodas. O que achas que vai acontecer contigo, caralho? — Grita assustando a garota nova na equipa técnica, mas não me importo porque não foi com a cara dela.

— E queres fazer o quê? Que desistas sem nem ter subido no octógono? — Indago sentando novamente fazendo sinal ao homem que coloca a fita de proteção antes das luvas começar o seu trabalho.

— Tu vais lá, ficas às voltas por uns minutos e na primeira oportunidade cais ao chão e não te levantas. Tu entendes-te? — Questiona quando ficamos sozinhos mais Tony.

— Irmão, não faças nada louco, por favor. — Implora Tony quando Fred sai antes de mim.

— Eu preciso sentir, Tony. — Digo para o meu amigo de costa quando o mesmo para de caminhar e vira a cabeça para me encarar.

— Tu só podes estar a brincar. — Responde saindo fechando a porta, ao que levo a mão adentro da cueca para retirar a última peça antes da luta.

— O que estás aqui a fazer, Tatiane?

— Desculpa. — Pede dando um sorriso sexy ou pelo menos é o que acha que é, porque fica encarando-me. — Boa sorte. Queres um beijo de boa sorte? — Questiona tocando no meu braço, mas afasto gentilmente sua mão.

— Não. Não vás por aí, jovem. — Aviso ao que me olha incomodada por sua sedução simples não ter colado.

— Protege a cabeça. — Grita Fred ao lado do meu outro treinador, Mark Trevor.

O homem chegou a lutar MMA profissionalmente, mas um problema de saúde o levou para fora das lutas, contudo, encontrou seu caminho começando a dar aulas e foi assim que o conheci, acabei fazendo a proposta e agora, está aqui.

A luta foi como um relâmpago de luz, que não sei para que lado tombei, como consegui me mover e como ele conseguiu me prender tão rápido após o terceiro round, ambos já estávamos machucados. Só consigo ver embaciado por causa do sangue, Fred, Mark, Tony e o resto da equipa, levantam meu corpo começando a transportar-me para dentro do balneário cedido para mim quando tenho lutas.

Escuto eles falarem com equipa técnica, onde Wagner, o médico e um enfermeiro, mas não sei e nem consigo aguentar os olhos abertos ou meu cérebro funcionando, só os fechos por uns minutos.

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