Início / Romance / A faxineira do bilionário / Segredos por trás da porta
Segredos por trás da porta

Assim que Miguel entrou em sua sala, Olívia fechou a porta com força atrás deles.

O som seco ecoou pelo ambiente elegante do escritório.

As enormes janelas de vidro revelavam o Rio de Janeiro lá embaixo, banhado pela luz dourada do final da tarde, mas o clima dentro da sala era tudo, menos tranquilo.

Olívia caminhava de um lado para o outro, claramente irritada.

Miguel, por outro lado, tirou o paletó com calma e o colocou sobre a cadeira de couro atrás da mesa.

— Você quer me explicar o que foi aquilo? — disse ela, cruzando os braços.

Miguel não respondeu de imediato. Abriu um arquivo sobre a mesa e folheou alguns papéis.

— Aquilo o quê?

Olívia soltou uma risada incrédula.

— Você está falando sério?

Ela caminhou até a mesa e apoiou as mãos sobre ela.

— Aquela… faxineira. A forma como você olhou para ela.

Miguel finalmente levantou os olhos.

O olhar dele era frio.

— Você está imaginando coisas.

— Não estou! — ela rebateu, a voz mais alta. — Eu vi.

Miguel se recostou na cadeira.

— Você viu uma funcionária derrubar um balde de água.

— Eu vi você defendê-la.

— Porque foi um acidente.

Olívia balançou a cabeça, frustrada.

— Você nunca se importa com esse tipo de coisa. Nunca.

O silêncio se instalou por alguns segundos.

Miguel passou a mão pelo queixo, claramente impaciente.

— Olívia, eu tive um dia cheio. Não estou com paciência para drama.

Ela o encarou, ferida.

— Drama? Nós vamos nos casar, Miguel.

Ele desviou o olhar para a janela.

— Vamos conversar sobre isso em outro momento.

— Não, vamos conversar agora!

Miguel bateu levemente a mão na mesa.

— Chega.

A palavra saiu firme, autoritária.

Olívia ficou em silêncio.

— Eu tenho uma reunião importante em cinco minutos — continuou ele. — E você está atrasando tudo.

— Então aquela garota é mais importante que eu?

Miguel suspirou.

— Vá para casa, Olívia.

— Miguel—

— Depois conversamos.

O tom dele não deixava espaço para discussão.

Ela pegou a bolsa com um movimento brusco.

— Você está diferente — disse, antes de abrir a porta.

Miguel não respondeu.

A porta se fechou.

Alguns minutos depois, três homens entraram na sala.

Todos bem vestidos, com ternos caros e expressões tensas.

Miguel permaneceu sentado enquanto eles ocupavam as cadeiras à frente da mesa.

— Temos um problema — disse um deles.

Era Augusto Ferraz, um dos investidores mais antigos da empresa.

— Eu sei — respondeu Miguel calmamente.

Outro homem, Ricardo Bastos, apoiou os cotovelos na mesa.

— O projeto de Singapura caiu.

Miguel assentiu.

— Foi bloqueado pelo comitê internacional de auditoria.

Augusto bateu a mão na mesa.

— Aquela ONG maldita interferiu!

Ricardo respirou fundo.

— Não foi só a ONG. Houve denúncia interna.

O silêncio pesou na sala.

Miguel entrelaçou os dedos.

— Alguém abriu a boca.

— Ou alguém foi comprado — disse Augusto.

Miguel olhou para os dois.

— Isso não importa agora.

Ele abriu um tablet sobre a mesa e girou a tela para os investidores.

— O que importa é que temos nomes.

Na tela havia uma lista de pessoas.

Auditores.

Consultores.

Dois jornalistas.

Ricardo franziu a testa.

— O que você pretende fazer?

Miguel respondeu com frieza.

— Fechar todas as pontas soltas.

Augusto sorriu de lado.

— Finalmente.

Ricardo parecia mais cauteloso.

— Precisamos ser discretos.

Miguel assentiu.

— Sempre somos.

Augusto apontou para um nome na lista.

— Esse auditor foi o primeiro a levantar suspeitas.

Miguel apenas respondeu:

— Ele não fará isso de novo.

Do lado de fora da sala, Mariana estava terminando de limpar o corredor.

Ela pensou que todos já tinham ido embora.

A porta da sala de Miguel estava levemente entreaberta.

As vozes vinham de dentro.

Sem querer, ela ouviu.

— Precisamos tirar essas pessoas do caminho — disse Augusto.

Mariana congelou.

— Se não fizermos isso, o dinheiro bloqueado em Singapura pode nos comprometer — completou Ricardo.

O coração de Mariana começou a bater mais rápido.

Lavagem de dinheiro.

Aquilo era crime.

Ela deveria sair dali imediatamente.

Mas naquele instante, a porta se abriu de repente.

Augusto apareceu.

Os olhos dele encontraram Mariana no corredor.

— O que você está fazendo aí?

A voz dele era agressiva.

Mariana arregalou os olhos.

— Eu… eu só estava limpando…

— Limpando ou escutando?

Ela começou a tremer.

— Eu juro que não—

— Quem deixou você subir aqui?

Augusto parecia furioso.

— Pessoas como você não deveriam nem chegar perto desse andar.

Miguel apareceu atrás dele.

O olhar dele encontrou o de Mariana.

Frio.

Ilegível.

Ela engoliu seco.

— Desculpa, senhor… eu não queria ouvir nada.

Ninguém falou nada por alguns segundos.

— Eu já estou indo embora — disse Mariana rapidamente.

Ela abaixou a cabeça e saiu quase correndo pelo corredor.

Dentro da sala, Ricardo olhou para Miguel.

— Ela ouviu.

Augusto parecia irritado.

— Isso é um problema.

Miguel apenas disse:

— Eu cuido disso.

Na manhã seguinte, Mariana mal conseguiu trabalhar.

A conversa que ouviu não saía da sua cabeça.

Quando estava limpando o refeitório, Sandra apareceu.

— Mariana.

— Oi?

— O senhor Miguel quer falar com você.

Mariana sentiu o estômago gelar.

— Comigo?

— Na sala dele.

O elevador até o último andar pareceu levar uma eternidade.

Quando chegou, a secretária apontou para a porta.

— Pode entrar.

Mariana bateu levemente.

— Entre.

Miguel estava sentado atrás da mesa, impecável como sempre.

Ele a observou em silêncio enquanto ela entrava.

— O senhor queria falar comigo?

Ele apoiou os cotovelos na mesa.

— O que você ouviu ontem…

Mariana sentiu as mãos suarem.

— Eu não ouvi nada, senhor.

— Não minta.

Ela abaixou os olhos.

— Eu não vou contar pra ninguém.

— Você não entende — disse Miguel calmamente.

Ele se levantou e caminhou até a janela.

— Aquilo é muito maior do que você imagina.

Mariana ficou em silêncio.

— Pessoas já morreram por muito menos — continuou ele.

Ela sentiu um arrepio.

— Eu só quero trabalhar… — disse ela baixinho.

Miguel se virou para ela.

— Eu ainda não sei se posso confiar em você.

— Pode sim. Eu juro.

Ele a observou por alguns segundos.

— Então vamos fazer assim.

Miguel voltou para a mesa.

— A partir de agora, eu quero você trabalhando para mim.

Mariana franziu a testa.

— Como assim?

— Na minha casa.

Ela arregalou os olhos.

— Sua… casa?

— Minha mansão precisa de uma funcionária fixa.

Ele deslizou um papel pela mesa.

Era uma proposta de trabalho.

O salário era quase três vezes maior do que o que ela ganhava.

Mariana ficou sem palavras.

— Isso vai garantir que você esteja… por perto — continuou Miguel.

— E se eu disser não?

Miguel a encarou.

— Então eu terei que considerar outras formas de garantir meu silêncio.

O coração dela disparou.

Ele completou:

— Pense nisso como uma oportunidade.

Mariana pegou o papel com as mãos trêmulas.

— Eu posso pensar?

— Até amanhã.

Naquela noite, Mariana voltou para casa em silêncio.

A mãe estava sentada na pequena sala.

— Filha, você parece preocupada.

Mariana olhou para o papel nas mãos.

Aquele salário podia mudar tudo.

O remédio da mãe.

As contas.

Talvez até sair da comunidade.

Mas algo dentro dela dizia que aquilo também poderia ser uma armadilha.

Um caminho sem volta.

Ela respirou fundo.

E pela primeira vez desde que começara a trabalhar naquela empresa…

Mariana teve medo de estar entrando em um mundo do qual talvez nunca conseguisse sair.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App