A porta do quarto de Miguel se fechou atrás deles, e o som seco do clique pareceu selar alguma coisa que já vinha sendo construída há tempo demais pra ser ignorada. Mariana ainda sentia o corpo quente, a respiração irregular, a cabeça cheia de tudo que tinha acontecido naquela noite, mas quando olhou pra ele, percebeu que não era só ela. O jeito que Miguel a encarava não tinha mais distância, não tinha mais controle frio — tinha fome, tinha tensão acumulada, tinha uma intensidade que não cabia mais dentro dele.Ele deu um passo na direção dela, devagar, como se desse espaço pra ela recuar, mas Mariana não recuou. Pelo contrário. Sustentou o olhar, o peito subindo e descendo mais rápido, como se já soubesse exatamente o que ia acontecer e, ainda assim, não quisesse impedir. O silêncio entre eles era pesado, denso, cheio de tudo que não precisava ser dito, e quando Miguel finalmente falou que ela ainda podia sair, a voz dele saiu mais baixa, mais rouca, carregada de algo que não parecia
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