O despertador tocou às cinco da manhã, como sempre.Mariana abriu os olhos devagar, encarando por alguns segundos o teto simples do pequeno quarto antes de se levantar. O ar ainda estava frio naquela manhã no Rio de Janeiro, e a casa simples de alvenaria parecia guardar cada pedaço daquele frio.Ela se sentou na beira da cama e respirou fundo. Mais um dia.Do outro lado da parede fina, ouviu a tosse seca da mãe.Mariana levantou imediatamente.— Mãe? — chamou, abrindo a porta do pequeno quarto ao lado.Dona Lúcia estava sentada na cama, apoiando uma das mãos no peito enquanto respirava com dificuldade.— Já passou… — disse ela, tentando sorrir.Mariana pegou o copo d’água na mesa e entregou para ela.— Você precisa tomar o remédio no horário, mãe.A mulher desviou o olhar.— Você sabe que ele acabou ontem.Mariana engoliu em seco.Aquele remédio custava quase metade do seu salário. O médico já havia explicado que o SUS não fornecia aquela medicação específica, e sem ela as crises resp
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