Cinco

Cat trocou de roupa no banheiro e voltou para o quarto, onde os dois desconhecidos pareciam deliberar sobre seu futuro.

Ela não iria aceitar que eles decidissem nada.

Tinha que ser forte e sair dali.

Dar um basta na situação.

- A camareira não parecia querer conversa...

A jogada de Justin era unicamente testar sua história.

Cat respirou profundamente e o encarou.

- Não. E eu realmente gostaria de saber como vim parar aqui. Eu tenho um emprego e gosto da minha vida em Pahrump.

Ela não gostava exatamente, mas era a vida que conhecia.

Pelo menos tinha Santi e tia Rosita.

A vida valia a pena pelos dois.

- Então você não se importa se eu for tentar extrair alguma coisa dela?

- Claro que não! Pelo contrário, eu realmente quero saber o que aconteceu e como vim parar aqui!

- Certo. Vou sair para descobrir. Vocês dois, tentem se entender.

Cat ignorou a provocação e foi até a mesinha próxima à janela.

Tentou ligar o celular, mas ele simplesmente não funcionou.

Fazia algum tempo que ele vinha apresentando problemas na bateria.

Por mais que trabalhasse e economizasse, ainda não tinha conseguido comprar um novo.

A maior parte do salário ficava no hospital, com os cuidados de saúde de Santi.

Seu irmão tinha asma e vivia tendo crises.

Cat fazia o possível para amenizar seu desconforto.

Aquela era responsabilidade de seu pai e de Mercedes, mas nenhum dos dois parecia se importar minimamente.

Tia Rosita costumava dizer que Santi era rejeitado por se parecer com o avô materno.

Quando descobriu que estava grávida, Mercedes foi expulsa da família e, até aquele momento, nenhum deles fizera as pazes com ela.

- Tentando encontrar uma desculpa para se safar?

Noah estava decidido a acusá-la.

Era cansativo.

Ela simplesmente o ignorou.

- Eu te disse que descobriria tudo.

- Não é você quem está investigando? E quem mais deseja saber por que você me arrastou para este quarto sou eu!

- Eu? Acha que um homem na minha posição iria forçar uma camareira?

- Como vou saber? Não o conheço! Tudo o que sei é que acordei machucada...

- Escuta aqui! Você viu as imagens. O que aconteceu neste quarto foi consentido!

- Eu vi imagens de fora do quarto. Talvez do saguão deste hotel ou do corredor. Mas quem garante que não são forjadas?

- O quê? Está me acusando de forjar imagens do que aconteceu?

- Já disse que não o conheço! No que me diz respeito, você pode ser um sujeito com interesses estranhos e que está tentando encobrir alguma coisa!

Ele a olhou chocado!

Não era verdade, mas, se ele insistia que ela havia armado para ele, por que ela não poderia insistir que ele era um criminoso?

Ele se sentou na beirada da cama e ficou olhando para o vazio.

Parecia desolado.

Cat se sentia mal por acusá-lo, mas sabia uma coisa sobre si: não faria sexo com qualquer um e não ingeria bebida alcoólica.

Sua mãe vivia falando sobre as consequências do álcool e sobre o que acontecia com garotas que perdiam a virgindade fora do casamento.

A experiência de sua avó materna e a situação de Mercedes eram exemplos claros dos riscos de se deixar levar pela paixão.

Não.

Catarina Sullivan só faria amor com o marido.

Alguém que amasse.

- Eu... Olha, não sei quem está te contratando para fazer isso, mas eu te pago mais. Só me diga quem está por trás dessa armação.

- Você vai morrer me acusando, e eu vou morrer jurando que a vítima aqui sou eu!

- Estou disposto até a deixar sua vida em paz. Apenas me diga quem te mandou!

- Estou falando que não estou envolvida em um plano contra você e, no que me cabe, acredito que o plano é contra mim!

- Contra você? Pelo amor de tudo o que é sagrado! Por que eu iria armar um plano contra uma mera camareira? Você já se olhou no espelho?

- Já. E sei muito bem o que vi. Alguém que trabalha e ganha a vida com o próprio trabalho. Quando acordei, cheguei a pensar em uma armação por parte de Mercedes ou Lupita. Mas... talvez o plano seja tomar minha casa.

- Sua casa? Acha que sou um pobre coitado querendo tirar a casa de alguém? Eu tenho mansões em várias partes do mundo!

- Mas há muitos empresários querendo comprar minha casa para algum empreendimento. Como saber se você não é um deles?

- Francamente! Se tenho interesse em um empreendimento, faço uma oferta irrecusável. Não levo ninguém para a cama!

Cat o ignorou.

Ainda tentava se lembrar da noite anterior.

Qualquer coisa ajudaria a entender a situação, mas parecia tão difícil!

Noah se levantou e caminhou em sua direção.

Parecia um homem irritado até a medula.

- Escute bem, eu não tenho interesse em nada do que você tenha. Nem seu corpo, nem sua casa. O que aconteceu aqui foi uma armação de alguém, e vou descobrir. É bom estar preparada para as consequências!

Cat também se levantou e o encarou.

Estava tão furiosa quanto ele.

Para ele, aquela noite havia sido apenas um percalço em seu caminho.

Ela, no entanto, havia perdido tudo.

- Eu também espero que você descubra! Mas nada vai trazer de volta o que eu perdi!

- O que raios você perdeu aqui?

Cat olhou para a cama.

Uma lágrima silenciosa desceu por seu rosto.

Noah virou-se para ver o que ela olhava e mudou de postura.

- Você era virgem?

- É claro que sim!

Por um instante, ele pareceu culpado.

Então estendeu a mão para enxugar suas lágrimas.

Uma corrente elétrica percorreu seu corpo, e ela deu um passo para trás.

Noah a olhou confuso.

Ao que parecia, ele também havia sentido a descarga elétrica.

- Se você for alguém que foi vítima, bom, eu só posso dizer que sinto muito.

- Isso não muda o que aconteceu e não melhora em nada a minha vida.

- O que você quer? Dinheiro?

- Não! A vida não se resume a dinheiro!

- E então, o que você quer?

- Minha vida de volta!

E Cat caiu no choro.

Não havia como a vida voltar a ser como era antes do casamento ou da intimidade que eles haviam partilhado.

Mas ela gostaria que houvesse.

Ela não sabia mais o que pensar ou sentir, além do medo de quando sua família descobrisse o que acontecera naquela noite.

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