Mundo de ficçãoIniciar sessãoNaquele dia Sara experimentou uma paz que jamais havia experimentado, o silêncio acalmava sua alma, em meio a aquela aparente liberdade, Sara explorou a casa, conhecendo quase todos os cômodos, restou apenas um, uma porta na sala, que parecia um escritório, aquele ela decidiu não entrar, parecia algo mais íntimo, e ela não queria chatear Tyler. Era tarde, Sara estava sentada no jardim, um dos lugares que mais havia gostado naquela casa, Rei estava deitado a seu lado, quieto, lhe acompanhando olhar para o nada, enquanto pensava na vida e buscava acalmar seu interior tão machucado. Tyler em sua casa, estava animado, receberia visita de Julie, filha de Lorence e Patrick, sua afilhada, ele passou pelo portão, ele caminhava apressado na ideia de que ela já havia chegado, em suas mãos, ele levava a boneca que ela havia o pedido, mas então parou ao ver Sara sentada na grama junto a seu cachorro, ele olhou por uns instantes, o silêncio parecia calmo, mas na verdade era tempestuoso, tanto que ele se perdeu ali, mas ambos despertaram ao ouvir algo.
– padrinho… – gritou Julie, a menina passou pelo portão rápido e correu até os braços dele e pulou em seu colo, ele em resposta riu e a abraçou no ar. – eu tava com saudade padrinho. – eu também raio de sol. – disse ele a chamava desta forma por seus cabelos em um tom de dourado brilhavam em qualquer luz, até mesmo sem ela. – mas sabe, é tudo culpa do seu pai, sua mãe trabalha demais demais e não pode te trazer sempre, mas seu pai nem trabalha e não te traz pra me ver. – disse ele olhando para Patrick, Julie ainda estava totalmente alheia ao mundo que seu pai fazia parte, a sua profissão, Patrick vendo aquilo balançou a cabeça em negação e riu, Tyler era alguém completamente diferente com Julie. – papai, precisamos resolver isso. – disse ela enquanto Tyler a colocava no chão e ambos riram, de longe Sara olhava a cena com curiosidade. – padrinho, essa é a boneca que pedi? – é sim raio de sol, sabe que sempre te dou tudo que pede. – obrigada padrinho, eu já posso brincar com ela? – ela perguntou animada. – claro querida, eu e seu pai vamos conversar um pouco ok. – tá bom. – Patrick seguiu para o interior da casa junto a Tyler, enquanto a garotinha ficou no jardim, ao olhar para o lado, ela viu Sara e sorriu, Sara sorriu de volta e ela se aproximou. – qual o seu nome? – Julie perguntou. – me chamo Sara e você? – me chamo Julie, o que você tá fazendo aqui? – ah…eu moro aqui. — contou Sara. – que estranho, semana passada você não estava aqui. – disse a menina sentando-se ao lado de Sara, logo em seguida começou a abrir seu presente. – pois é, cheguei aqui a poucos dias. – você é amiga do meu padrinho? — Julie perguntou curiosa. – não, bem…eu sou esposa dela. – contou Sara, mesmo que fosse apenas conveniência, era isso que era, esposa de Tyler. – esposa? meu padrinho não me contou que ia casar, e ele nem convidou para a festa, depois vou perguntar isso tudinho pra ele, não é justo que não tenha me convidado pra festa. — ela disse cruzando os braços, para acabar com o chateamento da menina, mudou de assunto. – e essa boneca? – Sara perguntou, olhando a boneca ainda dentro da caixa, mas Julie tratou logo de tirar, Sara sorriu, nunca havia tido algo tipo, sempre teve de se contentar com os restos de seu irmão, brinquedos que ele desgostava ou que já estavam estragados. – ela é linda né, meu padrinho que me deu de presente, ele sempre me dá muitos presentes. – que bom, e ela é linda mesmo, posso ver? – Sara pediu, Julie colocou nas mãos dela delicadamente e Sara olhou com carinho. – pede pro padrinho te dar presente, aposto que ele vai te dar um monte de coisa bonita e legal. – Sara ficou em silêncio, ele havia sido bom ao cuidar dela após confessar suas desgraças, mas ela não esperava mais do que estava ali para fazer, o servir como a genitora de seu herdeiro. – Sara, você está triste? – ah, não querida, está tudo bem. – se você diz, quer brincar comigo? – claro. Tyler estava sentado no sofá, enquanto da janela da sala, Patrick se certificava do que Julie andava fazendo, e a viu brincando animadamente com Sara, ao lado delas, Rei, que estava mais quieto do que qualquer vez que Patrick havia visto. – Julie está brincando com Sara, mas sabe o que mais me surpreende? – o que? – Tyler questionou. – aquele seu cão do portão do inferno quietinho. – ora, não diga isso, Rei é muito docil. – Tyler disse em um tom divertido. – com quem? – com Sara pelo menos. – disse ele enquanto Patrick sentava ao lado dele. – como ela está se comportando? ontem quando fui buscar Julie, Lorence me contou um pouco do que aconteceu com essa garota. – saber o que ela passou acabou com meu dia e os próximos também, ela sofreu todo tipo de abuso possível, ela nem mesmo podia fazer as refeições Patrick, passou tanta fome que está com falta de todas as vitaminas, nunca em minha vida havia visto tanto descaso, e bem, quanto a como está se comportando, ela esteve todo o dia vagando pela casa, olhando tudo em silêncio, como se fosse uma sombra, em um momento ela encontro o balanço da árvore, ela estava lá balançando. – vai ver que estava buscando descontração. – disse Patrick – ela estava chorando. – Patrick suspirou, em seguida perguntou. – por que estava a vigiando pelas câmeras? – não estava, sempre olho as câmeras pra ver como andam as coisas aqui, quando a vi vagando pelos cômodos acompanhada do Rei, decidi ver como ele estava se comportando com ela, até por que antes ela estava bem assustada com ele, parei de ver quando a vi chorando no balanço. – ao que vejo isso mexeu mesmo com você. – não nego, já vi muitas desgraças, já tirei a vida de muitas pessoas, mas jamais fiz mal a quem não merecia, o que essa garota fez pra merecer tanta desgraça? – provavelmente nada, o mundo não é justo, se fosse, não teria a colocado em suas mãos. – vamos mudar de assunto, como estão as coisas com a Lorence? – no mesmo de sempre, não entendo por que não me aceita, eu sei que ela me ama, apesar dela negar, eu sei que sim, ontem nos beijamos, como tive vontade de fazê-la minha. – você sabe bem, o pai dela era do crime, você sabe como ela o perdeu, no fundo ela só tem medo de te perder e achou que ficaria mais tranquila longe de você, que o amor que tinha iria acabar, mas não acabou e ela continua sofrendo, com a distância e com o medo de te perder. – por isso digo que o mundo não é justo, só Deus sabe o quanto amo aquela mulher, o quanto amo nossa família.






