Mundo de ficçãoIniciar sessãoA conversa entre Tyler e patrick havia mudado de rumo, o anterior só levava tristeza a ele, então começaram a falar sobre a questão da família de Sara, em como Tyler resolveria aquele assunto, mas precisaram interromper pois Sara e Julie surgiram ali, Sara vendo que a conversa havia sido interrompida abruptamente se desculpou.
– desculpem ter atrapalhado, mas se formou um temporal e eu precisava entrar com Julie. – tudo bem. – disse Tyler enquanto Julie sentava ao lado dele. – padrinho, estou muito chateada com você. – por que? — ele perguntou sem entender. – você casou e não me convidou para a festa. – Tyler olhou para Sara, que ficou envergonhada e assustada, não sabia se devia ter contado. – pois é, mas foi uma cerimônia bem pequena, só para adultos, não teve nem bolo e docinhos. – que chatura padrinho, isso nem é casamento, você precisa casar direito. – disse a garotinha cruzando os braços e Tyler riu, aquela foi a primeira vez que ela o viu rir. – eu vou para o quarto descansar. – ela disse em um tom baixo, apesar de ter sido divertido brincar tanto com Julie, Sara não estava recuperada e ali tinham ido embora todas suas forças. – tomou seus remédios? – Tyler questionou. – sim, os próximos apenas depois do jantar. – Tyler assentiu, e Julie se pronunciou. – Sara está doente, padrinho? – sim, mas logo ela vai está bem. – Sara, posso ir para seu quarto com você? — a menina perguntou em um tom doce e preocupado. – claro querida. Julie seguiu junto a Sara para o quarto dela, enquanto Tyler e Patrick retornaram a conversa sobre Sara, mas de um ponto diferente, daquele laço de amizade que havia se formado entre Sara e Julie. – parece que elas se deram muito bem, Sara deve ser muito cativante, domou até aquele seu lobisomem. – reparei nisso também. – No quarto, Julie sentou na cama de Sara e olhou ao redor, o quarto era bonito e aconchegante, mas não tinha uma decoração sequer. – esse quarto nem tem cara de quarto de menina. – disse Julie. – bom, só faz três dias que estou aqui. – como era seu quarto na sua antiga casa? o meu é bonito, cheio de brinquedos e ursinhos de pelúcia. – era… simples. – não era rosa? – Julie questionou curiosa. – não. – nem quando era criança? – não. – mas tinha coisas bonitas e muitos brinquedos, né? – não. – sua mãe e seu pai não gostavam de você? – Julie perguntou, era uma pergunta inocente, sem intenção de machucar, Sara sabia, ainda sim, sentiu aquilo. – não, nunca decoraram meu quarto e nem me deram presentes. – não gosto dos seus pais. – Julie disse fazendo beiço, em seguida abraçou Sara com carinho, foi um ato de carinho e compreensão tão lindo, que Sara chegou a se emocionar, mas conteve e disfarçou as lágrimas. – tá tudo bem Julie, mas me conta, como é seu quarto, ele é muito grande? – é sim, tem uma tv, uma cantinho de estudos e muitos brinquedos legais, depois vou pedir pra minha mãe pra você ir na nossa casa brincar comigo. Enquanto escutava admirada Julie contar de sua vida tão cheia de amor e carinho, Sara acabou adormecendo, estava cansada, seu corpo precisava de repouso mas Julie não saiu de seu lado, permaneceu ali, calada e quietinha, pensando no que fazer para alegrar Sara, para suprir o que os pais não haviam dado ela. – raio de sol, seu pai já está indo. – disse Tyler ao entrar com cuidado para não acordar Sara, a garota apenas assentiu com a cabeça, em seguida segurou as pontas do cobertor e colocou sobre Sara, Tyler sorriu vendo aquilo e logo em seguida Julie segurou a mão de Tyler e saíram do quarto. – padrinho, quero te pedir uma coisa. – o que raio de sol? – quero que dê muitos presentes a Sara? – por que, ela pediu? — ele perguntou. – não, ela me contou que nunca ganhou um presente. – nunca? – nunca, e eu fiquei com dorzinha no coração, queria dar um presente pra ela, mas eu só tenho três moedas, mas o senhor tem muito dinheiro, então o senhor pega o dinheiro que compra presente pra mim, divide e compra pra nós duas. – Tyler sorriu com a atitude carinhosa dela, aquilo havia mesmo tocado ele. – e o que mais ela te contou? – Tyler questionou. – ela me contou que o quarto dela nem tinha coisas bonitas de menina, ela está triste padrinho, o senhor precisa fazer alguma coisa. – não se preocupe querida, vou comprar um presente pra ela, o que devo comprar pra ela? – um urso de pelúcia, o dela está feio e velho. – tudo bem querida, que tal sairmos amanhã pra comprar o presente da Sara, você me ajuda a escolher. – Tá bom padrinho. – disse ela animada. Após Patrick e Julie terem ido embora, Tyler sentou-se no sofá da sala, pensativo, em sua cabeça só conseguia pensar em como alguém colocava um filho no mundo e apenas o dava maus tratos e desprezo, enquanto ele que tanto queria, ainda não havia sido agraciado com tal benção, tinha necessitado usar de atitudes extremamente questionáveis para realizar seu desejo, tendo em vista que, se apaixonar e criar uma família da forma convencional não era uma opção para ele. – porra, pensei que seria tão mais facil. – disse ele, Sara havia chegado a pouco mais de dois dias e já tinha virado coisas dentro dele de cabeça pra baixo com sua sofrida vida. – vai ser muito melhor pra ela aqui, vai estar segura. – disse ele, mas ela estava segura apenas de sua família, pois ainda sim, teria seu corpo usado sem que pudesse reclamar ou fazer algo, ele ainda não entendia que era mais um abuso, que era dessa forma que ela seguia se sentindo, usada, abusada, na verdade ele entendia um pouco, mas seu desejo e egoísmo ainda eram grandes demais para se deixar ver isso.






