capítulo 8

***CAPÍTULO 8***

ÍRIS ORLANDO NARRANDO

A dona da casa entregou-me chaves do meu quarto, para chegar nesta localização, peguei um ônibus, o que realmente facilita minha locomoção. Atravessei o jardim calmamente, havia três quartos em forma de filas do lado de fora, três estendais de roupas, havia uma vedação o que impedia das pessoas na rua visse o jardim, parei na mini varanda enquanto abria a porta do quarto, ao entrar, vejo uma cama, que legal, não irei começar do zero ao comprar itens de casa, há uma bancada de lava louça ao lado da janela, vejo uma mini geladeira perto da porta do banheiro, lentamente, entrei no banheiro, há um guarda roupa, não tão grande, suficiente para mim.

Tirei minha mochila dos meus ombros, organizei a pouco roupa que tinha, devo procurar um supermercado, tia Vanessa me deu algum dinheiro, não é muito, mas suficiente até entrar meu salário. Fechei casaco do tio, daqui a pouco irá nevar, tenho que ser rápida, saí da minha pequena casa, caminhei seguindo a lógica dos bairros, há sempre um supermercado em frente a entrada, não foi tão difícil encontrar, comprei um fogão elétrico, lençóis, cobertor bem quente, aproveitei para comprar moletons, é tudo baratinho, nada de roupas caras, comprei chinelos, meias de frio, goró. Entrei no corredor de detergentes, comprei sabonetes, champô, condicionador, escovas de dente, de cabelos, líquido para louça. Fui comprar utensílios de primeira necessidade, duas panelas, uma frigideira, chaleira elétrica, dois copos, dois pratos, talher e conchas, comprei carnes, depois legumes, leites, açúcar, pão, Chips, no caixa deu tudo 200 dólares, a teimosa por não querer gastar com táxi, saí carregando tudo até chegar em casa, meus braços estão doendo, quem mandou ser super herói? Estendi a cama com os novos lençóis, arrumei todas as compras e aproveitei para vestir meu moletom novo, serviu direto, amanhã irei no bazar comprar blusas, naquele supermercado cada blusa estava 5 dólares, no bazar sai em conjunto, não posso me dar o luxo de gastar, cada centavo, conta, depois de limpar o lugar e preparar o jantar, descansei.

Na manhã seguinte eu caminhava pelo bairro, os vizinhos disseram que o mercado de feira não é longe, só seguindo caminhando que veria um mercado livre, calmamente andei seguindo as instruções quando finalmente vejo um mercado, eu estava feliz pela primeira vez em toda minha vida, a sensação de paz e bem estar acalmou meu coração, nunca fui de reclamar, suportei tudo calada pois sabia que meu destino poderia mudar, fui positiva, se não fosse tia Vanessa, eu estaria naquele inferno diário, sem ânimo para nada depois de ter perdido quase 5 mil dólares das minhas economias, passei o ano todo juntando dinheiro, tirando pouco do salário, gorjetas e promoções, aceitei ser humilhada todo santo dia, para que um dia, pudesse sair de casa de conseguir minha paz de espírito.

Deus, é bom o tempo todo.

- Bom dia, o que você está procurando?

Uma vendedora perguntou.

- Bom dia, Blusas.

- Não tenho blusas, continue andando.

Assenti, olhei para banca de pantufas, está escrito 1 dólar, deixa eu procurar um par bonito.

- Bom dia.

Cumprimentei.

- Bom dia, fique a vontade para escolher.

Balancei a cabeça enquanto sorria, eu escolhi pantufas rosas, estão um pouco sujas, nada que água não resolva, fui escolher algumas blusas, depois comprei uma bolsa, mercado livre vende tanta coisa falsa com cara de chique, comprei uma camisola bem grossa para auxiliar a outra neste inverno, voltei para casa, desmontei as compras, lavei as pantufas na pia do banheiro, ficaram bem limpas, deixei no chão para secar naturalmente. Olhei para minha nova casa, vai ficar do jeito que gosto com o tempo.

- Íris, você sumiu.

Tia Vanessa disse do outro lado da linha, duas semanas passaram voando, meu ritmo de trabalho continua o mesmo, cuidando da cozinha e fazendo companhia a Flor nas horas livres, meu chefe, bom, eu não sei sobre ele, sumiu, essa é a palavra certa, não o vejo pelas manhãs nem pelas noites, é como se ele nunca tivesse existido.

- Sinto muito, tia, ultimamente, tenho tido pouco tempo livre durante o dia, fico com dó de ligar de noite.

Justifiquei.

- Ligue, não importa a hora, quero saber como está, eu me importo com você.

Sorrio.

- Também me importo com você, tia Vanessa.

- Íris, cadê você?

Essa é a voz da Flor.

- No quarto.

Gritei.

- Tia, até mais tarde.

Digo ficando em pé.

- Vai lá.

Encerrei a ligação devolvendo o telefone no gancho, rapidamente, saio do quarto e caminho pelo corredor até encontrar Flor pelo caminho.

- Você precisa me ajudar.

Franzi o cenho.

- O que aconteceu?

Questionei seguindo seus passos, nós subimos às escadas até o segundo andar, Flor abriu a porta do quarto e vejo senhor Mendes jogado no chão, será que ele morreu?

- Ele não está morto, está bêbado.

Flor afirmou com determinação, em que momento ele entrou em casa? Como ficou bêbado antes do anoitecer?

- O que você quer que eu faça?

Perguntei sem entender o motivo do alerta.

- Ressuscitar ele?

O quê? Ele não está morto, só bêbado.

- Vai me ajudar ou não?

Fiz careta.

- Ele vai me odiar.

Murmurei não gostando disso.

- Ele não irá te mandar embora, não vou deixar, ressuscite ele.

Tá, tá. Que loucura.

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