Mundo de ficçãoIniciar sessãoElizabeth reconheceu o carro que a esperava na porta de sua casa. Era o mesmo carro que ela observou dias pela janela de sua sala. Um carro de luxo, elegante, com motorista à espera.
O ar condicionado de dentro do veículo estava gelado e logo sua pele se arrepiou, junto com o bico de seus seios que estavam cobertos por uma fina blusinha de alça. Ela percebeu e ficou desconfortável, já que estava dentro de um carro junto com Raul e o motorista. Raul, de forma sutil, retirou seu blazer e deu a garota para se cobrir. - Está muito calor para desligar, suas vestes são mais leves que as nossas. - Eu entendo, obrigada pelo blazer. -Logo estaremos no aeroporto, você vai sentir calor novamente. - Aeroporto? Vamos de avião? - Sim, seu contratante disponibilizou o jatinho dele para locomovê-la. - Quando eu irei conhecê-lo? - Quando for o seu período fértil - Pensei que eu o conheceria antes. - Não se esqueça Elizabeth que estamos aqui para celebrar um contrato que tem a finalidade de gerar um novo herdeiro. Elizabeth pensou na forma como o senhor ao seu lado falava. Um contrato, um herdeiro, tudo muito mecânico e quadrado. - Você fala um herdeiro, e se for uma menina? O que ele fará com ela? - Herdeiro é forma genética de falar Elizabeth. Se for uma menina, também será sua herdeira. Ele só quer um filho, que seja seu e de mais ninguém. Por isso ele fez o contrato. - Ele não quer dividir a criança com ninguém? Que estranho vindo de um pai. - Por que? - Geralmente esse tipo de pensamento é maternal, a mãe quer o filho para si e faz tudo por ele. - Como a sua mãe, que nunca te falou quem é o seu pai? - disparou ele em tom frio sem pestanejar. - Como o senhor sabe disso? Aliás, o senhor sabe muito sobre a minha vida. - Seu contratante pesquisou muito sobre sua vida antes de te escolher. Ou você acha que foi por acaso? A conversa foi interrompida pelo motorista abrindo a porta do carro para descerem. Já estavam no hangar onde o jatinho estava os aguardando. Elizabeth se sentia extremamente desconfortável, nunca saiu de casa com estranhos, jamais viajou de avião e não estava nenhum pouco acostumada com tanto luxo e exclusividade assim. Quando entrou no avião olhava ao redor como um cachorrinho perdido. Não sabia o que fazer. Viu que havia outras pessoas junto com eles, mas não ousava perguntar. Como dizia sua mãe, gente rica gosta de silêncio. - Sente-se, as pessoas que você está vendo são a comissária de bordo, o piloto, o co - piloto, a governanta, a cozinheira e a ajudante. O motorista você conhecerá lá. Ele é local. - Por que tanta gente? Eu não preciso de empregadas, sei cuidar de casa sozinha. - Você não estará na sua casa e não foi contratada para isso. - Esse homem que me contratou pensa em tantos detalhes e tem tantos tópicos no contrato que eu acho que ele seja gay. - Gay? Menina não deixe nunca ele ouvir isso de você. - Oras, você disse que ele quer o bebê só para ele, ele é detalhista e está escrito que eu terei que usar venda, ele escolheu uma virgem, provavelmente deve ser pelo fato de sendo virgem, eu não posso dizer se ele é ruim ou não na cama… - Senhorita Elizabeth, não fique elucubrando teorias de como ele deve ser. Você já o julgou de velho, egoísta e gay. Chega. - Senhor Raul, eu não tenho como vê-lo, o senhor não quer me dizer como ele é. Só posso imaginar. - Melhor se preocupar em gestar logo para voltar para sua mãe. Elizabeth se calou após as palavras do advogado, ela achava que ele era muito sério para a idade que demonstrava ter. E por um momento sua mente travou na hipótese de Raúl ser o tal contratante. Ela tremeu ao pensar no caso, começou a olhar Raul de cima a baixo observando cada detalhe. Ele não era velho, aparentava ter seus 40 anos, cabelos pretos bem cortados, barba muito bem feita, não era gordo e nem magro demais. Não era o tipo de homem que sonhara em perder a virgindade, mas também não era tão ruim. - Quantos anos tem senhor Raul? - A idade para ser seu pai. - Trinta e seis? - Quarenta e dois. Porque disse trinta e seis? - É a idade da minha mãe. Já que disse que tinha idade para ser meu pai… - Entendi. - Tem filhos, é casado? - perguntou de uma vez. - Eu sei onde quer chegar garota, a resposta é não. - Não o que? Não tem filhos ou esposa? - Não sou eu. - Você lê mente? - seu rosto demonstrava espanto com a rapidez do homem. - Você faz esse monte de pergunta para sua mãe? - Não, minha mãe não é de falar muito. O silêncio tomou conta do espaço, Elizabeth ficou tímida com a situação e se calou. Pelo menos sabia que não era com Raul que teria que transar. Perdida em pensamentos, nem viu as horas passar, quando reparou, o avião já tinha pousado. - Chegamos. - Eu posso pelo menos saber onde estamos? - Rio Grande do Norte. - Por que estamos tão longe? Ele mora aqui? - Acredite no que quiser Elizabeth. - respondeu ele já cansado de tantas perguntas da jovem. Eles saíram do avião junto com as outras três empregadas. Se dividiram em dois carros e seguiram pelas ruas da capital até chegar em um uma casa muito grande que era mais afastada das outras do bairro. - Nossa, que casa grande. Disse ela olhando a casa ao descer do carro. - Ela é afastada das outras né? - Sim, ele comprou os terrenos em volta para não ter perturbação. Elizabeth ficou boquiaberta com a afirmação de Raul. Isso dizia muito, seu contratante era uma pessoa reclusa e tinha muitas posses. “ Claro que ele tem né garota! Ele vai te pagar dois milhões de dólares”. Pensava ela enquanto seguia Raul. - Bem vinda a sua casa pelos próximos meses. - Raul dizia enquanto abria a grande porta da sala. - É linda, tem bastante luz aqui né? - Sim, por isso tem muitas janelas, para aproveitar a luz do sol. Aliás tem uma piscina lá atrás, você pode usá-la quando quiser. - Tem certeza? - Elizabeth, entenda - Raul segurava nos ombros da garota fazendo ela olhar diretamente para seus olhos castanhos - está casa é para você, use-a como quiser até a criança nascer. Você só não poderá trazer ninguém aqui. Entendido? - Sim. As três empregadas apareceram juntas na sala onde estavam, já uniformizadas, pararam uma ao lado da outra como soldados. - Senhor Raul estamos prontas. - Elizabeth estas são Antônia a governanta, Ana Paula a cozinheira e Juliana a ajudante. O motorista que nos trouxe é o Luiz, ele ficará a sua disposição também. - Oi gente, eu sou Elizabeth. - Espero não ter problemas entre vocês ou terei que despedir alguém. Elizabeth não sabia por que ele disse isso, mas não respondeu. - Vá conhecer a casa, eu vou dar alguns comandos aqui. - Está bem, até já. Ela saiu andando, quis conhecer a casa por fora primeiro, tinha um jardim grande, uma garagem grande, uma piscina, sauna e também academia. Gostou muito do que viu, já se imaginava nadando. Olhou toda a casa por dentro, os quartos grandes, um escritório com uma grande biblioteca, uma sala de vídeo, sala de jogos e um espaço que se parecia com uma pequena boate. Voltou para sala, Raul a esperava sentado no sofá. A garota estava extasiada com tudo o que tinha ali. - Que bom que voltou. Estas são as chaves da casa. Lembre-se, você só não pode trazer ninguém para cá. - Você não vai ficar aqui? - Não, tenho que voltar para São Paulo, mas estarei sempre aqui. Amanhã eu te ligarei. - Eu estou sem celular, deixei o meu com a minha mãe. - Providenciarei um novo. E a transferência da sua mãe para o hospital particular também já está sendo organizado. Provavelmente até o fim do dia de amanhã ela já estará transferida. Até logo Elizabeth e se comporte. - Claro. E muito obrigado pela minha mãe. Raul saiu deixando ela ali no meio da grande sala, ela olhava para os lados sem nem saber o que fazer.






