ARIEL MACEY
Se Seattle era o inverno da minha alma, a Toscana decidiu ser o verão da minha vida.
Minha barriga cresceu rápido. Aos cinco meses, eu já não conseguia ver meus próprios pés. Matilde dizia que era porque eu comia por dois italianos, e ela não estava totalmente errada. A comida aqui não era apenas nutrição. Era uma religião.
Eu estava feliz.
Era uma felicidade estranha, cautelosa, mas era felicidade. Minha avó estava radiante, corada de sol, cuidando das rosas como se tivesse nascido naquele solo.
E Henrico...
Ele se tornou... presente.
Ele viajava para Seattle a cada duas semanas para "negócios", mas sempre voltava. E quando voltava, ele trazia a primavera com ele.
— Para a senhora da casa — ele disse numa tarde de quarta-feira, entrando no escritório com as botas sujas de terra.
Ele trazia um maço desajeitado de flores silvestres que ele mesmo tinha colhido na beira da estrada: papoulas, lavanda e margaridas.
Peguei as flores, sentindo o cheiro de campo.
— Você roubou iss