Alejandro quase pulou da cadeira. Oscar empalideceu, ao ver a porta se abrir bruscamente.
— Sabia que é feio escutar atrás da porta, mocinha?
— Você não é tão velho assim e se for eleito, será o governador mais jovem do país! — eu estava afiada.
Os dois homens ficaram boquiabertos, sem argumentos.
Me sacudi, usando de um sarcasmo que eu mesma desconhecia, e falei o que não devia:
— Ao menos agora entendo que sou necessária como esposa, pensei que estivesse aqui pelo simples fato de que o seu filho é tão insuportável que não consegue uma babá para ele!
Atrás de mim, uma voz ecoou cheia de mágoa.
— E você é tão insuportável que precisou ser comprada para arranjar um marido para se casar!
Virei-me rapidamente, surpresa, e vi um garoto uniformizado, aparentando seus sete anos, com cara de bravo, os olhos negros como os do pai, soltando faíscas!
Eu tentei me retratar ameaçando ir atrás dele, mas Oscar me paralisou.
— Por favor, não faça isso! Uma armadilha lhe espera, senhora!
Voltei suspirando impaciente, revirando os olhos, mas estava curiosa.
— Como assim, armadilha? Não consigo imaginar uma criança parecer tão assustadora. Me explique, por favor, Oscar!
O homem gesticulou vagamente.
— Logo saberá, se fizer a loucura de ir atrás dele.
Alejandro sorriu irônico e explicou:
— Ele só está deixando claro que não a quer por perto, e foi na frente se preparar para assustá-la.
Franzi a testa confusa.
— Nunca se perguntou por que ele age dessa forma?— eu me sentia mais adulta do que aqueles dois marmanjos naquele momento.
Alejandro fechou o semblante e Oscar ficou sem jeito, evitando o meu olhar.
Eu respirei fundo e sai atrás do menino, ignorando os conselhos que me foram dados. Não demorou muito para que eu pudesse entender porque não devia ter feito isso.
Saí pelo corredor de quartos, no andar de cima, procurando a porta que escondia o garoto.
A primeira porta do lado direito, deu para perceber que era do patrão, pois parecia uma suite real. Ela era moderna, mas muito luxuosa e confortável. A segunda porta do mesmo lado, parecia a de uma princesa. Eu amei instantaneamente. As outras duas seguintes, eram claramente de hóspedes. A mobília, a decoração era fria e funcional.
Comecei a procurar no outro lado do corredor. O último quarto era mágico! Cama redonda, espelho no teto, uma banheira enorme, parece que tudo ali cheirava a sexo! Apesar de ser uma moça simples do interior, eu já tinha visto coisas do tipo nas novelas e filmes!
Bom, segui pelo corredor e ao lado não era um quarto, mas uma sala com uma janela enorme com vista para a piscina.
Avancei para contemplar rapidamente aquelas águas límpidas. Eu até suspirei de saudade da fazenda, dos rios de lá.
Voltei a abrir as portas. A seguinte me deixou perplexa. Era um quarto de bebê! Fechei imediatamente, assustada. Com a mão no peito, os olhos arregalados e a boca seca, exclamei:
— Meu Deus, ele vai querer um filho comigo!
E segui para a última porta. Essa era de fato a que eu procurava, ficava de frente para a suíte real, onde eu já devia ter procurado desde o começo.
Empurrei a porta devagar e pude avistar um quarto de uma criança normal. Uma televisão, um vídeo game, natural para um garoto rico, da cidade.
Forcei mais um pouco e o vi lá, de frente, de braços cruzados, tinha expressão de um guerreiro, que espera seu inimigo.
— Entre, estava lhe esperando — ele disse sério.
Meio sem jeito, mas feliz, empurrei a porta totalmente e aconteceu. Caiu sobre a minha cabeça um monte de coisas, como bolinhas de papel, lápis e brinquedos, saídas de um balde de lixo, plástico, amarrado na altura da porta, causada pelo impacto das minhas mãos.
Quase desmaiei, enquanto o menino desatou a rir.
Ergui os olhos devagar, depois de examinar cada coisa caída no chão.
— Por que acha isso engraçado? — eu quis saber, tremendo.
O menino ficou sério.
— Eu sei que você vai se casar com o meu pai porque está sem teto!
Parece que eu tinha recebido de fato um soco no estômago. Deixei ele continuar.
— Escutei muita coisa atrás das portas e até das criadas. Ninguém queria se casar com ele! Ele é mal! Mandou minha embora desta casa, quando eu ainda era um bebê!
Pisquei algumas vezes. Não estava diante de um menino malvado, mas de um pequeno sofredor. Os olhos dele estavam cheios de lágrimas.