Mundo de ficçãoIniciar sessãoPOV Rocco)
A noite estava sendo um teste de resistência para o meu réu primário. Servir cerveja para o Nathan e ouvir o Diego falar sobre "estátuas douradas" era o equivalente a ter meus tímpanos lixados com brita zero.
— Ei, garçom! — Nathan gritou, batendo na mesa enquanto o juiz apitava o fim do primeiro tempo. O placar ainda estava no zero a zero, mas a tensão ali era de final de campeonato mundial. — Três porções de fritas e mais uma rodada. E capricha, que eu quero ver o braço do Diretor Geral de Engenharia trabalhando!
Me aproximei da mesa com a bandeja equilibrada. Ali, os funcionários do setor de Desenvolvimento de Projetos se dividiam entre o telão e o choque de me verem de avental.
— Se o seu avô te visse agora, Rocco... — Diego comentou, ajustando os óculos com um prazer sádico. — O velho morre em Londres. Imagina a manchete: "Herdeiro treinado em Harvard troca presidência da Blackwood por bandeja no Quarto Distrito".
— O velho não teria um infarto, Diego. Ele mandaria demolir o bar com a gente dentro — rebati, soltando as cervejas.
— Cara, eu vou filmar isso e mandar no grupo da empresa — Carlos, um dos arquitetos seniores, levantou o celular, rindo nervoso. — "Rocco Blackwood: de calculista bilionário a bartender sexy". A gente vai precisar de uma nova hierarquia na segunda.
— Tenta a sorte, Carlos — sorri de lado, aquele sorriso que fazia o pessoal da gestão de obras tremer. — E se um vídeo desse vaza, na terça-feira eu e você vamos estar calculando calçadas do seguro-desemprego.
— Quer um ombro para chorar? Aqui tem vários — Jonas disse, levantando as sobrancelhas enquanto dava um gole na sua bebida.
— Você só tem 26 anos, tem que aproveitar a vida antes de virar um CEO amargurado — Seu Elvis, o contador mais velho do grupo, brincou, erguendo o copo. — Mas ó, com essa camisa aberta e a bandeja, você tá parecendo aqueles strippers de filme pornô de oficina, hein?
— Não dá ideia, Elvis! — Diego gargalhou, me encarando. — Se ele mudar de ramo, vai fazer um pouquinho de falta.
— Ah, seu filho da puta. Na hora que vier me pedir para refazer cálculos, você vai ver.
— Tive uma ideia.
— Aposta... — todos na mesa falaram entediados, Nathan sempre com esse negócio de apostas.
— Vamos apostar a Final do Gauchão, meu parceiro. Se o perdedor da aposta do jogo errar, ele escolhe a criatura mais bizarra desse bar e tem que tirar para uma dança. Com direito a mão na cintura e tudo.
Olhei para o palco, onde um "faxineiro" de babados tentava fazer um pole dance nada funcional.
— Eu não fujo de desafio, Nathan. Mas prepare o estômago, porque você vai ficar muito ridículo dançando com aquele gogoboys de enfermeiro — avisei, sentindo a adrenalina da aposta
O segundo tempo começou e o clima pesou. Eu estava focado no telão quando a porta do bar se abriu. O universo, que adora uma ironia, decidiu que eu merecia um bônus por não ter matado nenhum dos meus funcionários ainda.
E o bônus entrou vestindo seda pichada.
Eu a vi antes de todo mundo. Uma ruiva que parecia ter saído de um cruzamento entre um filme do Tim Burton e um protesto anarquista. O vestido de noiva estava manchado de preto e vermelho e o olhar... ah, aquele olhar era puro fogo grego.
Ela se arrastou até o balcão com a graça de um furacão em fim de carreira. Pegou uma garrafa de vinho, espremeu um limão dentro e virou a garrafa no gargalo.
— Olha só... — murmurei para mim mesmo, esquecendo por um segundo de prestar atenção no jogo — Parece que o necrotério liberou as festas hoje.
Esqueci a aposta. Esqueci o jogo. Esqueci o Nathan. Eu precisava ver aquela estrutura colapsando de perto. Ela exalava algo fascinante, algo que nenhum cálculo estrutural conseguiria prever. Sou dominador e gosto de mulheres sob meu domínio e sob meu controle, mulheres fantasiadas, exóticas, que me instigam e que são obedientes.
Gol do Inter. Ele empatou. Eu ouvi, não vi; meus olhos estavam presos naquela beleza rara. Fiquei curioso para ver mais de perto, aproveitei que tinha que repor a mesa dos meus amigos cachaceiros e fui. Poderia ter pegado na beira do balcão, mas me enfiei entre ela e o homem para pegar; queria saber se estavam juntos ou não.
Quando nossas trajetórias finalmente se cruzaram no balcão, o cheiro dela me atingiu: cheiro doce, como morangos e tinta fresca, e uma nota persistente de "vou atear fogo no mundo".
— Uau — ela soltou, me medindo como se eu fosse um pedaço de carne premium em promoção.
Eu não pude evitar o sorriso de lado. O tipo de sorriso que geralmente precede uma má decisão ou um contrato bilionário. Olhei para a mão dela: sem aliança, mas com a marca de quem a arrancou com pressa.
— Uau digo eu — respondi, deixando o sarcasmo escorrer. — Tá tendo alguma convenção de terror ou festa à fantasia que eu não fui convidado?
Voltei para a mesa para servir meus colegas, mas o cheiro dela ficou no meu nariz. O Inter ganhou por 5x3 nos pênaltis, o que resultou que eu teria que dançar com algum daqueles gogoboys.
Percebi que ela estava me olhando, e que olhos lindos ela tinha. Me aproximei com a desculpa de buscar mais bebidas e ela se aproximou. Talvez estivesse atraída por mim também. Ela estava bêbada, claro. Mas era uma embriaguez lúcida, afiada. Quando ela me chamou de "gigolô" e perguntou o preço do "serviço completo", eu quase gargalhei. Eu, o herdeiro CEO, bilionário da Blackwood, sendo confundido com um "boy" de aluguel em um bordel masculino.
— Eu tenho o dinheiro. Sete mil. Dá ou não dá? — ela disparou, apontando o dedo trêmulo para o meu peito e desceu até minha braguilha.
Onde meu membro ficou excitado por descobrir o que tinha por baixo daquele vestido pichado. Ela tinha cabelos cor de cobre, amarrados em um coque frouxo, seios muito fartos que me faziam questionar se caberiam na minha mão, e olhos castanhos claros, aposto que durante o dia ficariam verdes. A pele era tão branca que as bochechas estavam rosas por causa do álcool. Me questionei em saber qual a cor da buceta dela e se ela seria tão selvagem quando eu colocasse uma coleira nela e a domasse igual a uma puta.
Às vezes, muito raro, a gente sente uma coisa dessas que eu não sei explicar. Ela não fazia meu estilo, mas fazia totalmente algo em minha mente que me deixava com vontade de jogá-la em cima daquele balcão, devorar a boca dela e depois fodê-la com força.
Sete mil? Ela me ofereceu sete mil, me tirando do transe dos meus pensamentos. Eu ganhava isso em minutos de rendimento de ações, mas o fato de ela achar que poderia me "comprar" me deu um tesão inesperado. Meus músculos tencionaram sob o toque dela. Ela era um erro estrutural ambulante, e eu sempre tive uma queda por projetos perigosos e reformas de alto risco.
— Você está louca — eu rosnei, mas não me afastei.
Então ela contou sobre a traição. O noivo, a prima, a igreja. Ali, eu vi a rachadura na fundação dela. Ela queria sexo; ela queria demolir o passado. E, infelizmente para o juízo dela, eu sou um excelente mestre de obras para reconstruções drásticas.
— Meu nome é Céu — ela sussurrou, chegando perto demais.
— Engraçado... eu passei a vida inteira tentando alcançar o céu — eu disse, a voz saindo mais rouca do que o planejado. — Mas nunca imaginei que o Céu viria até mim vestida de noiva morta e pichada.
Antes que eu pudesse decidir o próximo passo, ela me atacou. O beijo foi uma invasão de domicílio. Ela forçou os lábios contra os meus com uma fome e fúria. A língua dela invadiu meu espaço, o cabelo ruivo cheirando a melancia se enrolou nos meus dedos. Eu segurei a cintura dela, sentindo a seda rígida de tinta.







