45. Pilar
— Por Deus, docinho, o que aconteceu com você? — Olga pergunta assim que entra na sala do apartamento.
Seus olhos preocupados avaliam o meu rosto molhado. E meus olhos provavelmente devem estar inchados de tanto chorar. Contudo, não consigo falar. As palavras estão entaladas no nó que sufoca a minha garganta. Meus lábios tremulam e rapidamente ela se ajoelha na minha frente para me abraçar. Desabar outra vez é inevitável.
— Está doendo, Olga — lamento dolorosamente. — Eu não… não consigo respir