Eu já não tinha força para gastar a raiva nos móveis. A sala parecia um campo minado que eu mesmo havia detonado: uma estante sem porta-retratos, vidros pulverizados no tapete, o sofá desalinhado. Minha mãe ficou de pé, bem no meio do caos, e apenas me abraçou. Não havia sermão nem frase feita que desse conta do que eu sentia.
— Vamos tomar um banho quente, querido — murmurou, a voz pequena, como se temesse que qualquer volume a mais me rachasse por dentro.
— Eu não quero banho — respondi, infa