Melinda
A viagem de volta é silenciosa. O tipo de silêncio que não pesa, mas que ocupa espaço, como se cada palavra que não dizemos ficasse pairando entre nós, viva, respirando dentro do carro.
As luzes da cidade aparecem no horizonte, e eu sigo olhando pela janela, o deserto ficando para trás como uma lembrança que nunca vai embora. O sol já sumiu completamente, e o reflexo da lua risca a lataria do carro. Lá fora, o mundo segue o ritmo normal, mas aqui dentro tudo parece suspenso, como se o