O erro dos Brandão foi achar que Lívia reagiria como eles esperavam.
Que tentaria se explicar.
Que entraria em guerra pública.
Ou que se esconderia.
Ela não fez nada disso.
Naquela manhã, enquanto as manchetes ainda martelavam dúvidas veladas, Lívia chegou ao prédio do Grupo Brandão mais cedo do que o habitual. Sem anúncio. Sem fotógrafos. Sem Dante ao lado.
Sozinha.
O primeiro a estranhar foi o diretor financeiro, Mauro Peixoto, quando a viu atravessar o corredor com passos firmes.
— Senhora Azevedo… — ele começou, claramente despreparado. — Não esperávamos—
— Eu sei. — Lívia respondeu, com um leve sorriso. — É por isso que estou aqui.
Ela entrou na sala dele antes que pudesse ser convidada.
— Preciso dos relatórios de fluxo de caixa dos últimos seis meses. — disse, direta. — Detalhados. Sem filtros.
Mauro piscou, confuso.
— Esses documentos costumam passar pelo conselho.
— A partir de agora — Lívia respondeu, mantendo o tom calmo — passam por mim também.
Ela não levantou a voz.
Não