O primeiro ataque não veio como um golpe.
Veio como um sussurro.
Lívia percebeu isso ainda cedo, antes mesmo de sair da cama. O celular vibrava sobre o criado-mudo, insistente demais para ser coincidência. Mensagens acumuladas. Notificações em cascata.
Ela respirou fundo antes de tocar na tela.
A primeira manchete apareceu discreta, quase educada:
“QUEM É LÍVIA AZEVEDO? A MULHER NO CENTRO DA HERANÇA MAIS POLÊMICA DO ANO”
Não havia acusações diretas. Não ainda.
Mas havia perguntas.
Muitas.
Ela abriu a matéria.
O texto era cuidadosamente neutro, escrito com aquela falsa imparcialidade que jornalistas experientes dominavam. Falava de sua origem simples. Do relacionamento “relativamente recente” com Eduardo. Da surpresa do testamento.
E então vinha a frase-chave:
“Especialistas questionam se o empresário estava emocionalmente vulnerável ao alterar o testamento.”
Lívia sentiu o estômago apertar.
— Eles são bons nisso… — murmurou para si mesma.
Não chamavam de golpe.
Não falavam em manipula