Lívia percebeu antes de Dante dizer qualquer coisa.
Não foi por palavras.
Foi pela forma como ele evitou o olhar naquela noite.
O apartamento em Genebra estava silencioso, iluminado apenas pela luz difusa da cidade refletida no lago. Dante permanecia de pé, encostado na janela, imóvel demais para alguém que sempre parecia em movimento.
— Você nunca joga no impulso — Lívia disse, quebrando o silêncio. — Nunca reage no calor. Nunca ataca direto.
Ele não respondeu.
— Você não começou a agir contra Helena quando ela me atacou. — continuou. — Esperou até que ela se expusesse sozinha.
Dante fechou os olhos por um instante.
— Isso não é só técnica jurídica — Lívia disse, com cuidado. — É experiência.
Ele respirou fundo.
— Você não precisa saber disso.
— Preciso — ela respondeu. — Porque eu estou no meio do jogo que você sabe jogar melhor do que ninguém.
O silêncio se alongou.
Depois, Dante se afastou da janela e sentou-se lentamente à mesa, como quem aceita que não há mais como adiar.
— Eu n