Elisie Charpentier
Eu não dormi.
A noite inteira, eu simplesmente não dormi.
Meu corpo ficou parado, imóvel na cama que não conheço, num quarto que não me pertence, mas a minha mente… ela correu sem parar. Correu como se cada pensamento tivesse uma faca apontada para a minha garganta.
O jantar.
O sangue.
A morte de Henri.
A morte de Vivienne.
As expressões vazias.
O cheiro metálico impregnando tudo.
O olhar de Lucien.
Só de pensar nisso, meu estômago revira outra vez. Uma noite só, e sinto como se tivesse envelhecido anos.
Eu queria dormir, queria esquecer tudo por algumas horas, mas não consigo parar de ver a cena repetindo dentro da minha cabeça. E, quando a madrugada engolia qualquer esperança, fiquei com a empregada que me ajudou ontem. Ficamos revisando meus pertences que começaram a chegar agora de manhã.
Roupas.
Sapatos.
Joias que eu nunca quis usar.
Itens pessoais que eu deveria achar reconfortantes.
Mas nada disso aliviou a sensação de que estou num lugar onde não deveria es