Capítulo 7
(Ponto de Vista de Kennedy)

Diante da pergunta, meus olhos se arregalaram.

— Primeiro o quê? — Continuei desviando, certa de que eles conversavam entre si, embora aquilo não fosse assunto que a gente comentasse em voz alta como grupo.

— Isso! Eu sabia! Com quem foi o seu primeiro beijo?

— Mas… O quê?

— Não se faz de burra. Qualquer mulher viva e não marcada seria uma completa idiota por não aproveitar o que eles oferecem. Fora que você é linda, e eles com certeza perceberam. Com quem… Foi… O… Seu… Primeiro... Beijo?

— Jason. — Eu cobri o rosto, sem saber ao certo por que aquilo me deixava tão envergonhada de admitir, já que tudo tinha sido bom. Ele tinha sido incrivelmente doce comigo e, como se não bastasse, todo mundo também tinha estado presente naquela ocasião. — Mas foi só aquilo, durante um jogo de verdade ou desafio com garrafa. Nada que a gente realmente converse depois.

— E o Tommy? Ele não parece do tipo que para em beijo. Mas também não parece que você dormiu com ele. — Balancei a cabeça, negando, e ela abriu um sorriso malicioso. — Sim! Até onde você deixou ir?

— O que você é, uma leitora de mentes? — Disse, enquanto ela continuava me encarando esperando a resposta. Eu imaginei que fosse o sangue Alfa, porque ela demonstrava estar acostumada a obter o que queria, então, no fim, eu finalmente cedi. — O suficiente. Olha, a gente não fala sobre essas coisas, e eu não faço ideia do que eles já comentaram com o Jer. Eu não quero que ele fique estranho comigo se não souber e descobrir depois, nem que acabe brigando com eles, porque ele é superprotetor, caso você não tenha notado. — Encarei ela de novo e, em resposta, ela apenas levantou uma sobrancelha enquanto esperava, e a paciência dela se tornou um completo inferno. — Bom. Foi durante um jogo, por sete minutos, mas não significou nada... — Olhei para o meu colo, torcendo os dedos.

— Ah, mas é claro que significou! Olha a sua cara! Quantas vezes ele te fez gozar? Ele parece ser do tipo que não se contenta com uma só. E foram os primeiros da sua vida?

— Sério, isso é muito estranho. — Eu esfreguei o rosto com as mãos e, em seguida, ela me empurrou só de brincadeira, mas ainda assim quase me jogou para fora da cama.

— Quantas vezes? — O sorriso dela era contagiante, de tal forma que eu conseguia ver por que Jeremiah a amaria mesmo sem o vínculo.

— Duas...

— Em sete minutos? Usando o quê?

— Só a mão dele. — Dei de ombros, percebendo que seria inútil continuar segurando informações, e também era bom ter uma garota com quem conversar. — Também foi a primeira vez que veio de alguém que não fosse eu mesma. E sim, eu transei com o Ben. Eu não queria entregar minha virgindade para qualquer um e queria ter alguma noção de como tudo funcionava, e ele foi super gentil e paciente comigo. Ele não é exatamente pequeno. E, de novo, não sei se o Jer sabe. Provavelmente sabe, mas não é algo que eu costumo comentar.

— Que delícia! — Ela esfregou as mãos.

— Não chega nem perto do que eu acabei de ver lá embaixo. Ele por acaso esqueceu que tem mais gente morando aqui, ou isso é alguma coisa do vínculo de companheiro, como se vocês ficassem com tesão do nada e precisassem foder onde estiverem?

Eu estava meio que brincando, mas foi a vez dela de corar.

— Talvez seja um pouco dos dois. Eu não sabia que você morava aqui e, como os pais dele ainda estão na reunião e só voltam de manhã, eu não vi problema. Além disso, é meio difícil manter as mãos longe quando ele está por perto, você já viu ele... Você realmente fala com ele todos os dias? — Ela ainda estava corada, embora houvesse descrença na voz.

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— Sim, nós conversamos desde que eu era pequena, sempre trocando mensagem antes da escola e antes de dormir... Agora estudamos juntos e eu treino com eles, por isso passo praticamente todos os dias com quase todos os garotos.

— Toc, toc! Está seguro? Eu gostaria de poder ter filhos algum dia, Ken. — Minha porta se abriu uma fresta e meu melhor amigo apareceu ali, embora esperasse meu sinal para entrar.

— Estamos bem, Jer. A gente só precisou preencher algumas lacunas que você deixou porque é um idiota e deixou o seu pau pensar por você. — Ele soltou uma risada soprada e entrou com duas canecas, as colocou na mesa lateral e subiu na minha cama atrás da Rayna. — Trouxe chá, achei que isso podia ajudar um pouco, e como amanhã acordamos cedo, todo mundo precisa descansar.

Dava para perceber que ele também não resistia em tocá-la o tempo todo, e era encantador acompanhar o momento em que puxou a Rayna para perto, com o cabelo escuro dela emoldurando o rosto em formato de coração e contrastando com o cabelo loiro dele, até ela se aninhar no abraço.

— O que vão fazer amanhã? — Perguntei, confusa, pegando a xícara de chá. Era uma mistura que a curandeira tinha feito quando eu contei que ainda estava tendo pesadelos e nada mais estava funcionando.

— Nós vamos viajar para a minha alcateia para o Jeremiah conhecer meu irmão. Ele é o Alfa, mas estava lidando com outro assunto urgente, então meu pai e eu fomos à reunião no lugar dele.

— Eu fico feliz que tenha ido. — Ele roçou o nariz no pescoço dela e eu ouvi o lobo dele ronronar.

— Ok, por favor não transem no meu quarto. Vocês têm o de vocês para essas atividades extracurriculares. Jer… — Bati na perna dele. — Obrigada pelo chá, eu devo ficar bem. Os garotos já foram? Nem me toquei de dar tchau. — Tentei apressar os dois.

Por mais fofo que fosse, eu sabia que novos companheiros passavam de carinho leve para uma foda em questão de minutos, e isso não era algo que eu queria ver, mesmo que meu melhor amigo e a nova companheira dele fossem absurdamente atraentes.

— Não, estão todos na sala de mídia. A gente achou que seria mais fácil todo mundo sair daqui amanhã cedo.

— Por qual motivo vocês todos têm que ir? — Eu ainda estava aprendendo as nuances da política da alcateia, embora só de imaginar todos eles indo embora meu estômago afundasse.

— Todo mundo vai, e você também. Sempre que um Alfa precisa viajar por mais do que alguns dias, a equipe dele costuma ir junto, contanto que tenha alguém para ficar no comando da alcateia, e o Beta Daniel está aqui, sem falar que os meus pais chegam amanhã.

— E o que isso tem a ver comigo?

— Eu tenho certeza de que a Rayna gostaria de ter outra mulher junto. Viajar só com homens o tempo todo não deve ser divertido. Além disso, você é uma das minhas guerreiras e minha melhor amiga… Eu gostaria que você estivesse comigo quando eu tiver que conhecer o irmão da Rayna.

— Isso foi só um jeito educado de confessar que você morre de medo do meu irmão? — Rayna riu dele.

— Ah… Sim, Luna! — Ele rosnou no ouvido dela. — Sem sarcasmo. Ela sempre serve de barreira quando tem testosterona demais por perto. A Kennedy já me acompanhou em vários encontros, é excelente em conversinha e tem memória incrível, o que facilita tudo. Não ajuda pouco o fato de ela ser linda e quase sempre atrair atenção de imediato. E, como seu irmão comanda o maior território de alcateia, além de ser um dos Alfas mais perigosos, e eu ainda vou levar a irmã dele embora… Toda ajuda é necessária.

Eu ignorei o comentário irônico sobre distração e perguntei:

— Espera, de qual alcateia você é?

— Da Lua Sombria. — Minhas sobrancelhas se ergueram, já que até eu conhecia a fama deles. Eu não lembrava o nome do Alfa, mas sabia, pelas histórias, que ele era impiedoso e que tomava alcateias fracas enquanto eliminava Alfas com a mesma naturalidade com que eu ia à escola entregar tarefas. — Relaxa, ele não é tão assustador assim.

— Talvez para você, porque ele te ama, mas para o resto do mundo ele é intimidador. Se fosse o contrário, e alguém viesse me dizer que era companheiro da Kennedy e que ela estava arrumando a mala para ir embora hoje, eu provavelmente tentaria enfiar a porrada na pessoa. Com vínculo ou sem.

Ri com a Rayna, só que interrompi no meio e passei a encarar ele, porque um pensamento repentino apareceu na minha mente.

— É por isso que ninguém tenta me chamar pra sair? Porque você vive ameaçando bater neles?

— É... Não... Não exatamente.

— Mas bem perto disso, certo?

— A gente pode ter insinuado que você sabia se virar e que nós cuidaríamos do que sobrasse.

— Bom saber que existe um "nós" para eu gritar. — Olhei para a Rayna. — Quanto tempo de carro até a sua alcateia? Eu preciso garantir que tenha tópicos suficientes para gritar com eles pelo caminho todo. — Ela riu de novo e o Jeremiah empalideceu, sabendo que eu não estava mentindo. Ele só relaxou quando ela virou o rosto e deu um beijo na bochecha dele. — Ok, vão. Vocês dois estão me deixando enjoada. Eu vejo vocês de manhã.

Os dois se levantaram para sair e já estavam na porta quando Jer se virou.

— Você precisa de uma camiseta? Eu posso pegar uma.

— Eu ainda tenho aquela que você me deu faz alguns dias, então estou bem. Em algum momento eu tenho que começar a desmamar. — E, do nada, a situação voltava a parecer estranha, já que, apesar de tudo o que vivemos, eu não fazia ideia de como a Rayna se sentia em relação a ele me dar roupas com o cheiro dele.

— Me avisa se você precisar de mim, ok? — Eu apenas assenti. No entanto, eu não ia gritar chamando ele com a companheira ali.

Naquela noite, eu adormeci mais rápido do que nas últimas três, embora eu não soubesse se era porque ele tinha voltado para a casa da alcateia ou porque eu estava tão esgotada que não tive alternativa.

Mas foi aí que a noite boa terminou. O som de pneus cantando estourou nos meus ouvidos, o cheiro de borracha queimada ardeu no meu nariz, o sangue cobriu tudo ao redor e gritos reverberaram por todos os lados... Porém, dessa vez, não eram meus pais comigo. Eram Jeremiah, Ben, Tommy e Jason. Eu chamava por eles, mas ninguém respondia, e todos me encaravam com os olhos arregalados, como se não conseguissem realmente me ver. Então eu gritei de novo, percebendo que os tinha perdido. "Eles nem deveriam estar ali. Eles não deveriam estar naquele carro… Por que eles estavam ali?"

— Kennedy! Acorda! Ken! Vamos garota, volta para mim! Kennedy!

Meus olhos se abriram num sobressalto e, piscando devagar para conseguir focar, percebi que parecia me movendo na lama, com o corpo inteiro mole e incapaz de controlar meus próprios músculos.

— Kennedy, a gente está aqui. Você está segura agora, então para de lutar. — Uma calma tomou conta de mim quando o cheiro familiar de sândalo alcançou meu nariz. "Jeremiah…" Inspirei de novo e, dessa vez, uma nota floral suave se misturou ao sândalo, aprofundando a sensação de calma, até que eu percebi que aquele cheiro não era familiar... "Quem mais estava ali comigo? Ninguém podia me ver daquele jeito! Já tinha sido ruim o suficiente o Ben ver…" Parte do meu cérebro tentava ser lógica, embora tudo estivesse enevoado e lento.

— Ok… Certo! — Eu arrastei a fala. — Estou…bem. Voltem...

— Por que ela parece bêbada dessa vez? Ela nunca soou assim. — Disse Ben, eu achava.

— Só cansaço, Ben. Pode voltar a dormir. — Caindo para trás sem conseguir controlar meu próprio corpo. Tive a impressão de que alguns braços tentavam me segurar, ainda que eu não tivesse força nenhuma para reagir.

— Kennedy, acorda pra gente, por favor. Só por alguns minutos, depois você pode dormir de novo. — A mesma voz doce sussurrou, ao mesmo tempo em que dedos gentis tiravam meu cabelo da frente do rosto, espalhando no ar um perfume floral tão aconchegante que me lembrou o toque delicado das mãos da minha mãe.

— Mãos boas… — Murmurei, ainda sentindo meu cérebro trabalhando de maneira estranha, porque tudo parecia confuso e desalinhado. Quando tentei piscar, tive a sensação de que alguma coisa se movera, ao mesmo tempo em que percebia algo firme envolvendo meus braços que, apesar de constante, não machucava. Logo, inspirei outra vez, por ser a única ação que eu conseguia controlar, e o aperto suave nas minhas mãos me levou a finalmente abrir os olhos.
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