Capítulo 3
Ao me despedir da jovem fã, fiz questão de lhe dar um recado sério.

— Vou publicar coisas novas em breve. Prometo que não deixarei vocês esperando por muito tempo.

Passos pesados se aproximaram por trás de mim de repente. Ignácio parou na minha frente com uma expressão irritada no rosto.

— O que você está fazendo enrolando aí? Você não escolhe maiô e nem compra os óculos. Pare com esse drama agora mesmo. Eu juro que te acompanho na próxima vez, está bem?

Quando se tratava de mim, tudo sempre ficava para uma próxima vez — uma próxima vez que nunca chegava. Helena, por outro lado, tinha os seus desejos atendidos na mesma hora.

Sempre que Helena queria uma bolsa recém-lançada, Ignácio percorria a cidade inteira e pagava um preço exorbitante para consegui-la no mesmo dia.

Mas quando pedi a lente mais nova, ele apenas prometeu pedir para um amigo comprar para mim.

Esperei ansiosamente durante uma semana inteira pela chegada da encomenda. Quando perguntei por que a entrega estava atrasada, ele simplesmente disse que havia esquecido.

A verdade nua e crua era que eu não importava mais para Ignácio.

Talvez a minha expressão de tristeza estivesse evidente demais. Ignácio acabou suavizando o tom de voz em seguida.

— Lúcia, ela é a sua irmã mais nova. Não há necessidade de você querer competir com ela.

Confirmei com a cabeça de forma silenciosa. Fingi concordar com as palavras proferidas por ele.

Ele abriu um sorriso de imensa satisfação. Em seguida, envolveu os meus ombros e fez uma promessa.

— Quando chegarmos ao lago Tahoe, pedirei ao meu assistente que agende uma visita à melhor loja de noivas e marque um horário com o melhor maquiador da região. Quero realizar todos os seus sonhos para que você seja a noiva mais linda do mundo mais uma vez.

Helena e Renan saíram da loja carregando uma infinidade de sacolas e pacotes de tamanhos diferentes. Eles estavam ofegantes por causa do esforço.

— Vamos para casa agora. Compramos tantas coisas que parecia que a loja inteira era nossa.

O olhar de Ignácio estava repleto de carinho. Ele pegou prontamente as sacolas que Helena segurava.

Uma tempestade repentina desabou naquele instante. A chuva forte começou a molhar completamente a barra do meu vestido.

Todos os lugares livres do carro estavam tomados pelas sacolas de compras. Não havia espaço para mim.

A chuva batia de forma violenta contra as janelas do carro. Helena colocou a cabeça para fora com uma falsa expressão de constrangimento.

— Irmã, acho melhor você pegar um táxi para ir embora. Realmente não sobrou nenhum espaço para você se sentar aqui.

Renan bateu a porta do carro com força extrema. Ele nem se importou com a possibilidade de prender a minha mão.

Uma dor latejante percorreu meus dedos. Ao recuar assustada, pisei em falso, e o salto do meu sapato ficou preso na grade de um bueiro.

Ignácio fez menção de sair do carro para ver o que havia acontecido. No entanto, Helena o impediu com um tom de voz preocupado.

— A chuva está piorando cada vez mais. Daqui a pouco, será muito perigoso dirigir se não conseguirmos enxergar a estrada.

Sem dizer mais nada, ele ligou o motor do carro. Apenas murmurou um "cuide-se" pela janela e partiu acelerado.

As gotas pesadas de chuva machucavam o meu corpo como pedradas geladas. Mordi a parte interna da minha bochecha até sangrar para evitar chorar ali mesmo.

Aquele par de sapatos de salto alto era muito especial. Ignácio havia encomendado aquele par a um renomado sapateiro francês como presente pelo nosso oitavo aniversário de casamento.

Ao tentar libertar o calçado, o meu calcanhar ficou esfolado em carne viva. Era exatamente como o meu relacionamento com Ignácio. O nosso amor foi se desgastando e sumindo com o passar dos anos.

Tirei os sapatos com dificuldade e abandonei a tentativa. Pisei descalça na água lamacenta e congelante da poça.

Durante o período mais crítico da minha depressão pós-parto, eu subi na varanda de casa disposta a pular.

Ignácio ficou em estado de choque e tremia dos pés à cabeça de tanto medo. Ele chorava de forma desesperada, implorando para que eu não cometesse nenhuma loucura.

Ele repetia sem parar que o nosso filho precisava de uma mãe. E que ele não saberia viver sem mim.

Acabei desistindo daquela atitude trágica. Caminhei descalça até onde Ignácio me aguardava.

Ele se ajoelhou e colocou os sapatos nos meus pés com extrema delicadeza. Depois, esfregou as mãos para aquecê-las e envolveu os meus tornozelos num gesto protetor.

— Lúcia, o meu coração dói demais quando vejo você passando frio desse jeito.

Agora, a tempestade deixava o meu corpo ensopado na calçada vazia. A cada rajada de vento forte, eu tremia incontrolavelmente de frio.

Depois de tudo o que vivemos, será que Ignácio ainda se importava se eu estava com frio?

Dei um sorriso cheio de amargura. Peguei o celular na bolsa, na tentativa de pedir um carro por aplicativo.

O aparelho havia estragado por causa da chuva intensa. A tela piscou brevemente antes de apagar de vez em minhas mãos.

Deixei o sapato preso na grade do bueiro e desisti de recuperá-lo. Fiquei sozinha esperando no ponto de ônibus até a tempestade passar.

Não sei quanto tempo fiquei ali parada no frio. Finalmente, a chuva começou a diminuir de intensidade aos poucos.

Iniciei a longa caminhada de volta para a minha casa.

De repente, um pedestre desconhecido me chamou na calçada.

— Ei, moça. Você não vai pegar o seu sapato ali atrás?

Sorri de forma serena diante daquela pergunta inusitada. Olhei para os meus pés descalços, finalmente livres de qualquer amarra dolorosa.

— Não preciso mais.

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