O hospital tem um silêncio mentiroso.
As paredes são claras demais, o cheiro é limpo demais, como se tudo ali tivesse sido feito para convencer as pessoas de que a morte não passa por aqueles corredores. Eu aprendi cedo que ela passa. Passa quieta, passa sem pedir licença, passa quando quer.
Giulia estava sentada na maca, o braço enfaixado, reclamando mais do gosto do analgésico do que da dor. O médico tinha acabado de sair, deixando para trás a frase mais bonita daquela noite:
— Não foi grave.