Houve um silêncio pesado. Matteo passou a mão pelo rosto, como se precisasse de tempo para processar. Quando voltou a falar, a voz saiu mais baixa.
— Entendo. E tens razão em sentir isso. No teu lugar, eu também questionaria.
Darya piscou, surpresa.
— Não estás zangado?
— Não — respondeu sem hesitar. — Estou preocupado. Contigo. E comigo. Se alguma vez eu ultrapassar um limite, quero saber. Quero que me digas antes de te afastar de mim sem explicação.
Ela não esperava compreensão. Esperava defesa. Justificação. Talvez até controlo disfarçado de cuidado. Em vez disso, encontrou escuta.
Algo dentro dela cedeu. Aproximou-se e abraçou-o, ainda com cautela, mas com honestidade. O corpo dele envolveu-a de imediato, firme, quente.
— Não há nada que possas fazer agora — murmurou contra o peito dele. — São coisas que preciso de resolver sozinha. Mas obrigada… por me ouvires.
Matteo apertou o abraço por um instante mais longo do que o necessário, como se aquele contacto fosse uma promes