Mundo de ficçãoIniciar sessãoAMÁLIA
— Quem é você? E por que está me seguindo? Minha voz saiu firme. Milagre. Porque por dentro meu coração parecia querer atravessar minhas costelas. O homem apenas me encarou. Silencioso e frio. Os olhos dourados desceram lentamente pelo meu rosto e pararam no meu pescoço… como se me analisassem, como se pretendesse me atacar a qualquer momento. Como se estivesse decidindo alguma coisa. Então ele soltou uma risada baixa. Rouca e deliciosamente perigosa. Eu nao deveria estar sentindo isso. Ele é um homem estranho e perigoso. Como poderia achá-lo atraente? — Você realmente acredita que eu devo satisfações a uma humana? Meu estômago revirou. Humana. De novo aquela palavra. —Quem esse cara pensa que é? — Certo… — murmurei, dando um passo para trás. — Então você é oficialmente um maluco. O sorriso dele desapareceu. Instantaneamente. — Cuidado com a forma como fala comigo. Você não é fraca demais para estar me confrontando assim humana? A mudança em sua voz foi brutal. Mais grave. Mais animalesca. Meu corpo inteiro se arrepiou. Mesmo assim ergui o queixo. — Pare de me chamar de fraca. vocênãome conhece. Aliás eu quem não devo satisfações a uma maluco como você. Ele começou a andar na minha direção. Lentamente. Sem desviar os olhos dos meus. — Você não faz ideia do que está provocando humana tola. Meu coração disparou. Mas a raiva falou mais alto que o medo. — Ah, claro. Vai me dizer que é um vampiro agora e quer beber meu sangue? Ele parou. Por um segundo, algo parecido com irritação atravessou seu rosto. — Vampiros são parasitas arrogantes. Pisquei várias vezes. — O quê? — E têm um cheiro horrível. Apesar da situação absurda, uma risada nervosa escapou de mim. — Meu Deus… você é completamente insano. Os olhos dele pareceram brilhar ainda mais. — Sou o Alfa Supremo da alcateia Lua Prateada. O vento atravessou a viela violentamente. Os cães voltaram a choramingar ao longe. Mas eu só conseguia olhar para aquele homem. Alfa Supremo. Alcateia. Aquilo era ridículo. Então comecei a rir até meus olhos marejarem. — Claro. E eu sou a rainha da Inglaterra. O olhar dele endureceu instantaneamente. — Você acha engraçado porque ainda não entende o perigo em que está. Revirei os olhos e passei por ele. — Boa noite, “Alfa Supremo”. Nem consegui terminar a frase. Num instante ele estava na minha frente. Meu corpo travou. Não ouvi passos. Não ouvi movimento. Ele simplesmente apareceu ali. Perto demais. O cheiro de terra molhada e sândalo me atingiu novamente. Forte, quente e extremamente selvagem. E por mais que a razão me disse para temer, esse cheio me trazia familiaridade. Queria mais. muito mais. Meu ar falhou. — Como você fez isso…? O homem inclinou levemente a cabeça. — Finalmente uma pergunta inteligente para uma humana tão pequena e tão tola. Meu sangue ferveu. — Escuta aqui, seu— Então eu vi. As presas. Se alongando lentamente. Meu cérebro simplesmente se recusou a processar. Não . Não. Não. Isso não era possível. Os olhos dourados fixaram nos meus. Predatórios. Famintos. Um rosnado grave vibrou em sua garganta. E aquilo… Aquilo definitivamente, não era humano. Meu grito rasgou a rua. Instintivamente puxei o spray de pimenta do bolso. Meu pai havia me dado para ocasiões como essa. — Fique longe de mim, seu lunático! Disparei direto no rosto dele. Uma. Duas. Três vezes. O jato espalhou no ar. Ele recuou com um rosnado furioso. — O que diabos—?! Não esperei terminar. Saí correndo. Os passos batiam violentamente na calçada enquanto eu tentava respirar. Meu coração parecia explodir. Não olhe pra trás. Não olhe pra trás. Não olhe— Um som ecoou atrás de mim. Não eram passos. Era pior. Parecia… algo correndo nas sombras. Rápido demais. Animal demais. As lágrimas ardiam nos meus olhos por causa do spray espalhado no ar. Ou do pânico. Talvez dos dois. Virei a esquina praticamente tropeçando. A chave caiu da minha mão quando alcancei a porta de casa. — Anda, anda, anda… Meus dedos tremiam tanto que mal consegui destrancar. Entrei rápido e bati a porta. Girei a chave várias vezes. Só então percebi que estava sem ar. O silêncio da casa caiu sobre mim imediatamente. A televisão da sala ainda estava ligada em volume baixo. Meu pai já devia estar dormindo. Aquilo deveria me acalmar. Mas não acalmou. Porque mesmo do outro lado da porta… Eu ainda conseguia sentir aquele cheiro. Terra molhada. Sândalo. E floresta depois da chuva. Meu sangue gelou. Lentamente… Olhei para a janela da sala. E por um segundo tive a sensação de ver dois olhos dourados me observando do lado de fora. Minhas pernas tremiam, e eu só conseguia pensar em um banho quente. Precisa esquecer essa noite, precisava esquecer aquele cheiro.






