Mundo de ficçãoIniciar sessãoCapítulo 5
Raíssa Narrando Voltar pro topo foi fácil. Difícil… é manter todo mundo abaixo de você. E eu já tinha escolhido meu primeiro alvo. Luna. Não porque ela era a maior ameaça. Mas porque ela teve coragem. Coragem de me enfrentar. Coragem de me expor. E pior… Coragem de não ter medo. Isso eu não tolero. Fingi que não vi. Fingi que não me importava. Passei por ela no baile como se fosse invisível, rindo, bebendo, sendo exatamente o que esperavam de mim: intocável. Mas por dentro… Eu já tava mexendo as peças. — Jéssica, chamei sem nem olhar pra ela. Ela apareceu rápido, como sempre. — Fala. — Quero saber tudo sobre a Luna. Ela arqueou a sobrancelha. — Já começou? Dei um gole na bebida. — Eu nunca parei. Ela se aproximou mais. — O que tu quer saber? Olhei direto pra pista, onde Luna dançava como se nada tivesse acontecido. — Tudo. Pausa. — De onde veio… com quem anda… quem protege… o que ela quer. Jéssica soltou um riso baixo. — Já sei até o final disso… — Então facilita meu trabalho. Ela assentiu. — Te dou isso rápido. — Eu sei. Porque ali, informação valia mais que arma. E eu sabia usar. Dois dias depois… Eu já sabia o suficiente. Luna não era qualquer uma. Tinha chegado há pouco tempo, mas não era burra. Se aproximou das pessoas certas. Andava com algumas meninas que rodavam o morro há mais tempo. E o principal… Féra tinha interesse. Não assumido. Mas visível. Aquilo já explicava muita coisa. Mas também me dava vantagem. Porque homem assim? É previsível. E mulher que acha que tá ganhando espaço rápido… Sempre comete erro. Esperei. Observei. Não fiz nada impulsivo. Deixei ela confortável. Deixei ela achar que tava tudo bem. Que eu tinha “superado”. Que eu não era ameaça. E foi aí… Que ela começou a relaxar. Erro dela. Numa tarde quente, sentei na varanda da casa nova, mexendo no celular enquanto uma das meninas fazia minha unha. — Ela tá lá embaixo — Jéssica falou, chegando sem avisar. Nem levantei o olhar. — Sozinha? — Quase. Só com duas. Sorri de leve. — Ótimo. Levantei devagar. — Bora dar um passeio. Descer o morro agora era diferente. As pessoas abriam caminho. Me olhavam com respeito. Com receio. Do jeito certo. Quando virei a esquina… Vi ela. Sentada numa mureta, rindo com as outras duas. Despreocupada. Aquilo me deu até gosto. Fui andando na direção delas. Sem pressa. Salto marcando presença. Uma das meninas percebeu primeiro. Parou de rir na hora. — Ih… Luna virou o rosto. E quando me viu… Não levantou. Não correu. Só me encarou. De novo. Sempre aquele olhar. Aquilo já tava me irritando. Parei na frente dela. Silêncio. Pesado. As outras duas levantaram na hora. — Fala, patroa… — uma murmurou. Ignorei. Meus olhos eram só nela. — Tá confortável, né? — falei, calma. Ela deu de ombros. — Tô sim. Assenti devagar. — Que bom. Pausa. Inclinei um pouco o rosto. — Porque vai ser a última vez. As meninas trocaram olhar. Luna soltou um riso curto. — Tu fala demais. Aquilo foi o sinal. Olhei pra Jéssica. Um leve gesto. Só isso. E tudo aconteceu rápido. Os dois caras que estavam mais atrás avançaram, segurando as amigas dela antes que elas pudessem reagir. Luna levantou na hora. — Que porra é essa?! Dei um passo pra frente. — Isso aqui… é organização. Ela tentou sair, mas eu segurei o braço dela. Forte. — Agora tu vai aprender. Ela tentou se soltar. — Me larga! Apertei mais. — Não. E aproximei o rosto do dela. — Tu queria atenção, não queria? Silêncio. Respiração pesada. — Agora tu tem. Soltei o braço dela de repente… E empurrei. Ela caiu sentada no chão. — Levanta. Ela me olhou com ódio. Mas levantou. Devagar. — Eu não tenho medo de tu — ela falou. Sorri. Frio. — Eu sei. Pausa. — Mas vai ter. Ela veio pra cima. Rápida. Mas dessa vez… Eu tava pronta. Antes que ela encostasse em mim, um dos caras puxou ela por trás, segurando firme. Ela se debateu. — Me solta! — Segura — falei, tranquila. Cheguei mais perto. Observei ela. De cima a baixo. Como se escolhesse. — Bonitinha mesmo… Ela cuspiu no chão. — Vai se foder. Assenti. — Vai. E então fiz. Minha mão acertou o rosto dela com força. O som ecoou. Mas diferente da primeira vez… Eu não parei. Outro. E outro. Sem pressa. Sem perder o controle. Ela tentou reagir, mas tava presa. — Isso aqui… — falei entre um tapa e outro — é pra tu aprender teu lugar. As amigas gritavam. As pessoas já estavam parando pra ver. Mas ninguém se metia. Ninguém era louco. Segurei o queixo dela com força, fazendo ela olhar pra mim. — Olha bem pra minha cara. Ela tentou desviar. Apertei mais. — OLHA. Ela olhou. Cheia de ódio. Perfeito. — Grava. Pausa. — Eu sou o topo aqui. Silêncio. Pesado. Lento. Soltei ela. Os caras largaram também. Ela quase caiu, mas se segurou. Respiração descompassada. Olhar queimando. Mas agora… Tinha algo a mais. Raiva… misturada com limite. Eu me afastei um passo. Arrumando o cabelo como se nada tivesse acontecido. — Se tu for inteligente… — falei, virando de costas — vai sumir. Parei. Sem olhar pra ela. — Se não… Inclinei levemente o rosto. — Da próxima vez… não vai ser só tapa. E saí. Sem pressa. Sem olhar pra trás. Porque eu sabia. Todo mundo tinha visto. Todo mundo tinha entendido. Quando cheguei em casa, tirei o salto e joguei no canto. Meu corpo ainda tava acelerado. Mas minha mente? Fria. Calculando. Fé entrou logo depois. Silêncio. Pesado. — Tu fez isso? — ele perguntou. Virei devagar. — Fiz. Ele me encarou. Tentando entender. — Pra quê? Soltei um riso baixo. — Tu ainda pergunta? Cheguei mais perto. — Ou tu prefere que ela faça de novo? Silêncio. Ele passou a mão na cabeça. — Tu podia ter resolvido diferente. — Não. Firme. Direta. — Não podia. Parei na frente dele. — Aqui funciona assim. Pausa. — Ou tu impõe… ou tu vira história. Ele me olhou por alguns segundos. E dessa vez… Não discordou. Isso me disse tudo. Virei de costas, caminhando pela sala. Mas antes de sair, falei: — E relaxa… Olhei por cima do ombro. — Eu ainda nem comecei. Porque a verdade é uma só: Aquilo não era vingança. Ainda. Era só aviso. E se ela fosse burra o suficiente pra continuar… Aí sim… Eu ia mostrar até onde eu consigo ir.






