Ponto de Vista: Maya
Eu me sentia leve. Enquanto caminhávamos de volta para a pousada com as roupas coladas ao corpo pela água do mar, eu sentia como se tivesse deixado um fantasma para trás, lá no fundo do oceano. Falar sobre o que aconteceu na minha cidade nunca foi fácil, mas com o Leo foi... natural.
O que mais me tocou não foi apenas o abraço dele, mas o que ele não fez. Ele não perguntou se a foto era real. Ele não hesitou, não me olhou com aquele julgamento disfarçado de curiosidade que eu recebi de tanta gente no passado. Ele simplesmente me acolheu. Ver o brilho nos olhos dele quando eu contei sobre como comprei o casarão e reconstruí minha vida me fez sentir orgulho de mim mesma de um jeito que eu não sentia há anos.
"Ele me entende", pensei, enquanto subíamos os degraus do deck. "Ele sabe o que é precisar de um recomeço."
Mas, ao mesmo tempo em que o alívio me inundava, uma pontada de intuição me cutucava. Eu via o jeito que o Leo ficava tenso às vezes. Vi como ele reagiu à