ELLA
Acordo devagar, como se meu corpo estivesse preso em areia movediça. Tudo parece pesado — meus braços, minha cabeça, até o ar. Tento me mover, mas minhas articulações protestam, rígidas, doloridas. Uma pontada atravessa minha nuca.
Abro os olhos.
A primeira coisa que vejo é o teto — baixo, manchado, com uma rachadura que percorre a superfície como uma veia azulada. A luz amarela na parede pisca sem ritmo, como se estivesse prestes a queimar.
O quarto… não, não é um quarto.
É um cubículo.
A