A última coisa que escrevi para o Noah foi: “Saindo agora, amor. Vou pra casa. Te aviso quando chegar ❤️”
Enviei com a certeza boba de quem acredita que pequenos bilhetes digitais são uma linha direta com a segurança. Apertei “enviar” e guardei o telefone no bolso, sentindo a bolsa mais leve, como se ali também coubesse um pouco do alívio que vinha por ter entregue o dia inteiro de trabalho, das aulas da noite, da fadiga acumulada. Pensei em respirar. Pensei em voltar a olhar as vitrines com calma, sem pressa. Pensei em me preparar para a aula prática de amanhã. Pensei em ligar para a minha mãe.
A rua estava cheia daquele fim de tarde típico: carros, buzinas, gente retornando para casa, vendedores de lanchonete que já guardavam as bancas. O céu tinha um tom de cobre; o sol caía rápido e fazia sombras alongadas nos prédios. Eu caminhei devagar, como quem caminha por um caminho conhecido, repetindo mentalmente o trajeto que já tinha feito milhares de vezes.
Passei pela pracinha onde cos