DANTE
Três e quarenta e sete da manhã.
Eu sabia a hora exata porque tinha passado as últimas horas olhando para o relógio na mesa de cabeceira, vendo os minutos se arrastarem com uma lentidão torturante.
Não consegui dormir.
Nem por um segundo.
Cada vez que fechava os olhos, via ela. O vestido preto colado no corpo. O sorriso provocante. Os dedos roçando no meu braço. A mão tocando minha perna por baixo da mesa.
E aquelas palavras. Aquelas malditas palavras que ecoavam na minha cabeça como uma