A salvação que chega pela porta errada.
O presídio não era um lugar. Era uma sensação. Um peso no peito que começava antes do portão e ia se adensando a cada etapa do protocolo. O ar tinha cheiro de metal velho, suor reprimido e desinfetante que tentava apagar o que nunca se apaga. O som era sempre o mesmo, mesmo quando mudava. Portas batendo, passos secos, vozes controladas, ordens curtas. Um mundo construído para lembrar ao homem, o tempo inteiro, que ele não manda mais nem no próprio corpo.