5 - Você é louco

Cecília nunca tinha usado um vestido como aquele.

O tecido era impecável e caía perfeitamente sobre o corpo, valorizando cada detalhe com uma elegância que ela nunca teve a chance de experimentar antes. Não era apenas bonito, era caro, novo e exatamente o tipo de peça que sempre pertenceu ao armário de Celina e nunca ao dela.

Enquanto a empregada ajustava os últimos detalhes, Cecília permaneceu em silêncio, observando o próprio reflexo no espelho. Por um instante, quase não se reconheceu, porque parecia outra pessoa, mais confiante, mais sofisticada, mais digna. Mas aquilo não passava de uma ilusão, porque, no fundo, ela sabia que sempre ficou com as sobras e sempre ocupou o lugar que ninguém queria. E agora estava sendo enviada para encontrar um homem que desejava a irmã dela, não ela.

Quando ficou pronta, desceu as escadas com passos firmes, mesmo que, por dentro, estivesse completamente destruída. Sua mãe já a esperava na sala, avaliando cada detalhe como se estivesse inspecionando um produto antes de ser entregue.

— Assim está aceitável — disse, fria.

Cecília não respondeu e apenas passou direto, mas, antes que pudesse sair, a mão da mãe se fechou em seu braço com força.

— Se você abrir a boca, eu acabo com você — disse em um tom baixo e ameaçador. — Eu te coloco na rua sem pensar duas vezes.

Cecília a encarou por um segundo, se soltou sem dizer nada e saiu.

O carro já a esperava do lado de fora. O motorista abriu a porta em silêncio, e Cecília entrou sem questionar. Durante todo o trajeto, manteve o olhar fixo na janela, observando as luzes da cidade passando, como se estivesse sendo levada para algo inevitável, e de fato estava.

Quando o carro parou, ela reconheceu o lugar, um dos restaurantes mais caros de Nova York. Havia algo estranho, porque não havia movimento, clientes ou qualquer som ao redor.

— Está reservado — o motorista disse apenas, antes de abrir a porta.

Aquilo fez o coração dela acelerar.

Quando entrou, o silêncio era absoluto, e Brian Beckman já estava lá, em pé, esperando por ela. Ele não parecia surpreso ao vê-la, pelo contrário, parecia alguém que já esperava por aquele momento com absoluta certeza. O olhar dele percorreu cada detalhe dela sem pressa, avaliando e absorvendo, como se estivesse confirmando algo que já sabia.

— Senhorita Foster — disse, com um leve sorriso — é um prazer conhecê-la pessoalmente.

Cecília sustentou o olhar.

— Não finja que eu estou aqui por vontade própria.

O sorriso dele não desapareceu, apenas mudou.

— À força? — ele perguntou com calma.

— Você comprou a empresa da minha família, ameaçou destruir tudo e acha que meu pai não me obrigaria a vir?

Brian inclinou levemente a cabeça.

— Então foi ele quem te obrigou.

— Foi você — ela respondeu imediatamente.

O silêncio entre eles era carregado. Brian pegou um envelope sobre a mesa e o deslizou na direção dela.

— Este é o nosso contrato de casamento.

Cecília não tocou.

— Será por um ano. Depois disso, você estará livre, e eu devolvo todas as ações da empresa para a sua família.

Aquilo a fez hesitar.

— Por quê?

Brian não desviou o olhar.

— Porque eu quis.

— No momento em que eu te vi, decidi que você seria minha — continuou, com firmeza. — E eu sou um homem que consegue tudo o que quer.

Cecília sentiu um arrepio subir pela espinha.

— Nós nos casamos amanhã.

Ela arregalou os olhos.

— O quê?

— Amanhã — ele repetiu com tranquilidade — não tenho tempo para longos noivados ou cerimônias desnecessárias. Meu assistente cuida de tudo.

Ela soltou uma risada nervosa.

— Você é louco.

— Sou prático.

Ele fez um gesto discreto, e imediatamente os garçons começaram a servir o jantar, como se tudo já estivesse previamente decidido. Durante a refeição, Cecília percebeu algo que a deixou ainda mais inquieta, porque ele controlava tudo, os pratos, o tempo, o ambiente e até o silêncio, e, ainda assim, não era sufocante, era preciso.

Brian falava pouco, mas observava muito, e cada gesto dela parecia ser analisado com atenção, como se estivesse montando um quebra-cabeça que apenas ele conseguia enxergar, o que a deixava desconcertada.

Quando a sobremesa terminou, Cecília se levantou.

— Eu vou embora.

Mas, antes que pudesse dar um passo, ele segurou seu braço, não com força, mas com firmeza suficiente para fazê-la parar. Ela virou o rosto para reagir, mas encontrou um olhar intenso, focado e perigoso, o que fez o tempo parecer desacelerar.

Ele se aproximou e a beijou de forma controlada, sem agressividade ou pressa. Cecília tentou resistir no primeiro instante, surpresa demais para reagir com clareza, mas a forma como ele conduzia sem forçar fez com que sua reação perdesse força, e isso a assustou mais do que qualquer outra coisa naquela noite.

Quando ele se afastou, ainda a observava.

— Nós vamos nos dar muito bem, senhorita Foster — disse em voz baixa e segura. — Ser minha esposa não vai ser um problema, desde que você não complique.

Cecília deu um passo para trás, tentando recuperar o fôlego.

— Você é louco.

Ele sorriu com calma, como alguém que já sabia o final da história.

— Não se atrase amanhã.

Ela não respondeu. Apenas se virou e saiu sem olhar para trás, mesmo sentindo o olhar dele ainda sobre ela.

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