A sala de interrogatório era fria demais para aquele momento.
Cruz sentou-se devagar, abriu a pasta, organizou os papéis com um cuidado quase teatral. Tina permaneceu ereta, mãos sobre a mesa, olhar firme. Lucas ocupava a cadeira ao lado, atento, com a caneta já pronta, o adulto responsável daquela mesa.
— Vamos começar. Cruz disse, finalmente.
— Onde a senhora esteve durante todos esses anos?
Tina não piscou.
— Sem memória. Respondeu, direta. — Levei um tempo até lembrar de coisas básicas. Al