Kieran
O silêncio no quarto não era vazio. Era pesado. Espesso. Quase vivo. Melissa estava sentada na beira da cama, os ombros curvados, as mãos apoiadas na barriga como se tentasse proteger algo que ainda nem tinha chegado ao mundo, mas já carregava peso demais.
Eu observava da porta. Sem saber como atravessar a distância que não era física. Era medo.
— Melissa…
Minha voz saiu baixa. Ela não virou. Apenas respirou fundo. O tipo de respiração de quem tenta não quebrar.
Eu caminhei devagar,