Capítulo 3
Pouco tempo depois, Vinicius surgiu, acompanhado por seu motorista e assistente, saindo do elevador privativo.

— Sr. Vinicius, poderia me conceder um momento? — Kayra se aproximou com um sorriso profissional no rosto. Sua voz era firme e respeitosa, sem demonstrar submissão.

O motorista e o assistente, percebendo o clima, se afastaram discretamente, mantendo uma distância considerável.

A iluminação do estacionamento era fraca, e as poucas lâmpadas faziam com que as sombras dos dois se alongassem e se distorcessem no chão de concreto.

— Sra. Kayra, ainda há algo que deseja? — Vinicius virou-se levemente, e a luz tênue projetou sombras profundas em seus traços marcantes, tornando impossível ler a emoção em seus olhos.

— Sobre o Projeto Kayles Intelligence, o Grupo Nascimento está demonstrando o máximo de sinceridade. — Kayra retirou um plano suplementar que havia cuidadosamente preparado e continuou. — Este é um plano otimizado, baseado nos detalhes do projeto. Tenho certeza de que o Grupo Nascimento pode trazer o maior retorno para a Sailor Investimentos.

Vinicius não estendeu a mão para pegar os papéis. Ele apenas a observou de cima, com um sorriso de escárnio nos lábios.

— Sinceridade? — Ele repetiu a palavra com sarcasmo, quase saboreando-a. — Sua sinceridade se resume a algumas linhas extras de texto?

O coração de Kayra afundou por um instante, mas seu rosto permaneceu inexpressivo.

— Então, o que o senhor acredita ser uma demonstração suficiente de sinceridade? — Perguntou Kayra, mantendo o tom calmo.

De repente, Vinicius deu um passo à frente. Sua figura alta e imponente a envolveu completamente, encurtando a distância entre os dois. O perfume intenso de sua colônia masculina preencheu o espaço ao redor dela.

Kayra não recuou. Ela permaneceu firme, com a expressão serena, mas um brilho frio passou rapidamente por seus olhos.

"Ele está me testando? Ou está prestes a declarar guerra abertamente?" Pensou ela.

— Quer discutir o projeto? Tudo bem. — A voz de Vinicius saiu baixa e rouca, com um tom que exalava perigo. — Então mostre sua verdadeira sinceridade.

Depois de dizer isso, ele tirou do bolso interno do terno um cartão de metal preto e o colocou na mão dela.

— Hoje à noite, às nove horas, hotel Diamante, quarto 1708. — Os olhos dele pousaram brevemente nos lábios levemente pálidos de Kayra, e sua voz carregava uma malícia cruel. — Venha sozinha. Se você atrasar um minuto, o Grupo Nascimento estará fora do jogo.

Kayra baixou os olhos para o cartão de metal em sua mão. Um brilho afiado passou por seus olhos.

No quarto 1708 do hotel Diamante.

Aquele era o mesmo hotel, o mesmo quarto, onde tudo havia começado seis anos atrás. Ele não queria negociar. Ele queria vingança. Queria humilhá-la.

Vinicius sorriu levemente, um sorriso cheio de sarcasmo, antes de virar-se e caminhar em direção ao carro. Tudo o que ele deixou para trás foi uma silhueta fria e resoluta.

Às oito e cinquenta da noite, Kayra estava no corredor do 17º andar do hotel Diamante, que tinha um carpete espesso decorado com padrões luxuosos.

Kayra havia trocado o terno formal que usara durante o dia por um vestido preto simples, mas elegante. Seu cabelo estava preso em um coque alto, revelando a clavícula delicada e os contornos atraentes de seu busto.

Mesmo sem maquiagem, Kayra parecia tão impecável e radiante quanto uma obra de arte, exalando uma elegância natural que parecia meticulosamente planejada. Seus passos eram lentos, mas cada um era firme e decidido.

Quando o número 1708 finalmente apareceu à sua frente, Kayra parou. Depois de um breve momento de hesitação, os cantos de seus lábios se curvaram em um sorriso leve e quase irônico.

Ela estava curiosa. Ela queria ver até onde Vinicius iria com a humilhação que ele havia preparado.

Todos os seus sentimentos estavam enterrados sob uma máscara de frieza. Nem mesmo o menor indício de dúvida ou hesitação transparecia em seu rosto sereno.

Kayra levantou a mão lentamente. No momento em que seus dedos estavam prestes a tocar a porta, esta foi aberta bruscamente por dentro.

Uma mão grande e forte se estendeu, segurou seu pulso com firmeza e a puxou para dentro do quarto com força.

A porta se fechou com um estrondo, isolando completamente o mundo exterior.

O quarto estava às escuras, iluminado apenas pela luz amarelada de uma luminária presa à parede ao lado da cama.

Vinicius estava parado bem na frente dela. Ele usava apenas um robe preto de seda, que caía de forma desleixada sobre seus ombros, deixando o peitoral definido à mostra. Seu olhar, frio e predatório, avaliava Kayra como se ela fosse uma presa.

— Parece que você realmente dá muito valor a esse projeto. — Vinicius finalmente quebrou o silêncio, com uma voz carregada de escárnio.

Kayra não tentou se soltar do aperto dele. Em vez disso, ela usou aquela força para se firmar. Quando ela levantou os olhos, havia um leve sorriso nos cantos de sua boca, quase desafiador:

— Se você já terminou de me ridicularizar, podemos falar sobre o projeto?

— Claro. — Vinicius riu baixo, um som grave e rouco. Ele caminhou lentamente até a cama, pegou dois objetos e os jogou de qualquer jeito sobre o colchão.

Um deles era uma camisola de seda fina, quase translúcida. O outro, uma faixa preta de seda.

— Essa é a minha regra. — Vinicius virou-se para ela, seus olhos afiados cravados nos dela. — Já que você está tão disposta, vista isso e coloque a venda. Exatamente como eu fiz seis anos atrás.

O olhar de Vinicius não carregava o menor traço de desejo. Era frio, recheado de pura satisfação vingativa. Ele queria devolver a humilhação que sofreu, mas desta vez em dobro.

O silêncio no quarto parecia se estender por uma eternidade, pesado e sufocante. Kayra permanecia parada, sem mover um músculo. Suas sobrancelhas levantaram ligeiramente, um gesto despreocupado e calculado.

Quando a paciência de Vinicius estava prestes a se esgotar, Kayra ergueu a cabeça de repente e encontrou o olhar dele com uma calma desconcertante. O leve sorriso em seu rosto ficou ainda mais evidente.

— Tudo bem.

Kayra caminhou sem hesitar até a cama, pegou a camisola e foi para o banheiro.

Alguns minutos depois, ela saiu. A peça de seda preta abraçava perfeitamente suas curvas, destacando a pele clara e impecável.

Com um movimento tranquilo, Kayra pegou a faixa de seda preta. Sem qualquer hesitação, ela a amarrou ao redor da cabeça, cobrindo os olhos.

O mundo mergulhou instantaneamente em uma escuridão completa.

Kayra podia sentir Vinicius se aproximando. A respiração dele, o perfume frio e característico que ele exalava, o calor de sua presença... tudo a cercava.

Uma mão levemente fria pousou na face de Kayra. Os dedos, com calos suaves na ponta, desceram lentamente, deslizando pela pele até pararem em seu pescoço delicado e vulnerável.

A respiração de Vinicius ficou mais pesada enquanto ele a pressionava contra a parede. Ele usou o joelho para forçar as pernas dela a se separarem, enquanto sua mão quente deslizava pela lateral do corpo dela, descendo pela cintura.

Vinicius inclinou-se gradualmente, aproximando o rosto do dela.

E então, o som repentino de um toque de celular quebrou o momento.
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