No escuro, a respiração do homem estava pesada e descompassada, carregada de uma insatisfação reprimida.
Os dedos de Kayra deslizaram pelo metal frio das algemas presas aos pulsos dele e, em seguida, cobriram o dorso de sua mão, onde veias saltadas denunciavam a tensão.
— Relaxe. — A voz de Kayra era suave, como uma pluma quente deslizando ao redor do ouvido.
O pomo de adão dele subiu e desceu com dificuldade, mas ele permaneceu em silêncio.
Observando a venda de seda preta que cobria os olhos dele, Kayra imaginou que os olhos escondidos por trás daquele tecido deviam ser muito bonitos.
Com esse pensamento, os dedos de Kayra seguiram pela linha da mandíbula dele, subindo devagar. A textura firme da pele, úmida com um leve suor, era quente e escorregadia sob o toque dela.
Kayra se inclinou lentamente, deixando seu hálito quente roçar o lóbulo da orelha dele. Seus lábios vermelhos como pétalas de rosa se aproximaram e, com um leve toque, morderam sua orelha.
— Me ajude, por favor? — Sussurrou Kayra, em um tom cheio de insinuações e provocações.
A voz baixa e sedutora dela fez o homem ofegar de repente, sua respiração ficando mais pesada.
Ao mesmo tempo, uma sensação de humilhação intensa parecia querer escapar de cada poro dele, mas ele a reprimiu com todas as forças. Todo o processo estava muito mais fora de controle do que ele imaginara.
A resistência dele era como um arco tensionado ao limite, prestes a se romper. E aquele arco, no ápice de suor e suspiros entrelaçados, finalmente quebrou com um estalo.
No momento de extremo prazer compartilhado entre os dois, a faixa da seda preta que cobria os olhos dele deslizou de repente.
No meio da escuridão, os dois pares de olhos se encontraram de forma abrupta.
Os olhos dele estavam cheios de uma fúria ardente e de um desejo desordenado e humilhante, colidindo diretamente com o olhar dela.
O coração de Kayra parou por um instante.
…
Kayra abriu os olhos de repente.
O lustre de cristal pendurado no teto refletia a fraca luz que entrava pela janela, silencioso e frio. Se não fosse por tê-lo encontrado novamente no jantar desta noite, ela quase teria esquecido aquela noite absurda de seis anos atrás.
Ela se sentou na cama, e a alça da camisola de seda escorregou por seu ombro, revelando uma clavícula delicada e pálida. O ar frio do ar-condicionado tocou sua pele, provocando um arrepio sutil.
Kayra caminhou descalça até a janela panorâmica. Olhando para as luzes da cidade, sua mente foi puxada de volta a seis anos atrás.
Naquela época, ela havia acabado de se casar com o Dario da família Nascimento, o herdeiro da família.
Mas, apenas um ano após o casamento, Dario faleceu devido a uma doença, deixando uma fortuna imensa para Kayra e um filho ainda por nascer.
De um dia para o outro, Kayra se tornou a viúva mais jovem e rica de Cidade Lobito.
Por fora, todos diziam que Kayra era extremamente sortuda. Com um rosto deslumbrante e uma criança no ventre, ela conseguiu, sem esforço aparente, acumular riquezas que a maioria das pessoas jamais sonharia ter em várias vidas.
Muitas pessoas invejosas faziam comentários maldosos, especulando que Kayra eventualmente se tornaria o brinquedo de algum magnata poderoso. Mas ninguém esperava que ela assumisse o Grupo Nascimento com firmeza e determinação.
Kayra não apenas se estabeleceu em meio às intrigas da família Nascimento, mas também protegeu a herança deixada por seu falecido marido, silenciando todos que esperavam vê-la fracassar.
Só Kayra sabia o quão perigosa havia sido essa jornada.
No momento, a família Nascimento estava competindo por um importante projeto no lado leste da cidade, o Projeto Kayles Intelligence. O maior concorrente já havia conseguido uma carta de intenção de investimento da Sailor Investimentos.
E o fundador da Sailor Investimentos era ninguém menos que o enigmático e implacável novo magnata de Cidade Lobito.
Kayra jamais ficaria de braços cruzados. Ela soube que o fundador provavelmente compareceria ao evento corporativo desta noite e rapidamente conseguiu um convite para o jantar, decidida a encontrá-lo pessoalmente.
O jantar foi realizado na cobertura do Hotel Pullman.
Kayra segurava uma taça de champanhe enquanto procurava discretamente pelo novo magnata entre a multidão.
— Sra. Kayra. — A assistente Laura abaixou a voz e apontou discretamente para uma direção com os olhos.
Kayra seguiu a direção do olhar de Laura. Bastou um único instante para que o corpo dela congelasse por completo. Ela viu um homem.
O homem tinha uma postura alta e elegante, vestindo um terno sob medida que acentuava sua figura impecável. Mesmo de costas, suas largas costas e cintura estreita eram delineadas com perfeição.
Ele estava virando a cabeça para conversar com alguém, e seu perfil era profundamente marcante. A linha do maxilar era firme e cortante, e os traços de seu rosto eram tão nítidos que apenas sua silhueta foi suficiente para fazer o sangue de Kayra quase parar de circular.
O homem pareceu perceber o olhar da Kayra e se virou lentamente.
Seu rosto era incrivelmente bonito, mas carregava uma agressividade natural. Seus lábios estavam levemente comprimidos, e todo o seu ser emanava uma frieza e uma nobreza que afastavam as pessoas.
A taça de vinho na mão de Kayra tremeu ligeiramente, e ela perdeu o foco por um breve momento. Como poderia ser ele?
— Meu Deus, Sra. Kayra... — Laura levou a mão à boca e exclamou, em choque. — Esse homem... é a cara do seu filho!
As palavras de Laura acertaram o coração de Kayra como um golpe pesado.
Os dois não apenas se pareciam. Aquele rosto, aqueles olhos... mesmo depois de seis anos, o tempo não conseguiu apagar a lembrança daquele jovem. Embora ele tivesse perdido a inocência e a fragilidade de antes, Kayra ainda podia reconhecê-lo.
— Não diga bobagens. — A voz de Kayra esfriou, repreendendo Laura em um tom baixo.
Laura imediatamente calou-se, sem ousar dizer mais nada.
Kayra abaixou o olhar, e seus cílios longos lançaram uma sombra que escondeu toda a turbulência em seus olhos.
Seis anos haviam se passado. Naquela época, ele estava com os olhos vendados, a consciência confusa. Era possível que ele nem sequer se lembrasse dela. E mesmo que lembrasse, o que ele poderia fazer em uma ocasião como essa?
O homem diante dela só poderia ser Vinicius Nascimento, fundador da Sailor Investimentos e o alvo que Kayra precisava conquistar naquela noite.
Kayra ajeitou o vestido com um gesto elegante, colocou um sorriso impecável no rosto e, segurando a taça de vinho, começou a caminhar em direção a ele com passos graciosos:
— Sr. Vinicius, é um prazer finalmente conhecê-lo.
Vinicius ouviu a voz e virou-se para ela. Seus olhos profundos pousaram no rosto de Kayra, mas não mostraram qualquer emoção, como se ele estivesse olhando para uma completa estranha.
Ao lado dele, havia uma jovem de aparência pura e delicada, que inclinava a cabeça para sussurrar algo a Vinicius. Seus dedos brincavam levemente com a manga do terno dele, e seu rosto irradiava uma dependência doce e adorável.
O olhar de Kayra passou pela garota, e uma familiaridade inexplicável surgiu em seu coração.
No instante seguinte, a jovem levantou os olhos e encontrou o olhar de Kayra. A expressão mimada e suave que ela tinha no rosto congelou de repente. Suas pupilas se contraíram levemente, e sua mão escorregou automaticamente da manga de Vinicius. Todo o seu corpo exalava uma inquietação e um desconforto evidentes.
Kayra franziu levemente as sobrancelhas.
Laura, que estava logo atrás dela, inclinou-se discretamente e sussurrou que aquela era o primeiro amor que Vinicius guardava no coração há muitos anos.
— Senhora, quem é você? — Vinicius perguntou com um tom frio. Sua voz era grave e agradável, mas carregava uma distância cortante.
— É um prazer conhecê-lo, Sr. Vinicius. Eu sou Kayra, do Grupo Nascimento. — Kayra entregou-lhe um cartão de visitas, com um sorriso radiante e encantador. — Peço desculpas por perturbá-lo, mas gostaria de conversar com você sobre o Projeto Kayles Intelligence.
Vinicius não estendeu a mão para pegar o cartão. Ele apenas a encarou em silêncio.
A mão de Kayra permaneceu no ar, sem sequer tremer, enquanto ela sustentava o sorriso impecável no rosto.
— Sra. Kayra, você está muito bem informada. — Após um momento, Vinicius finalmente quebrou o silêncio. Seus lábios se curvaram em um leve sorriso, mas sem qualquer traço de calor. — No entanto, este é meu momento pessoal. Eu não trato de negócios agora.
A garota ao lado dele imediatamente segurou firme a manga de seu terno e se aproximou dele, inclinando-se levemente em direção ao braço dele:
— Vinicius, vamos sair daqui. Tem muita gente... não estou me sentindo bem.
Vinicius abaixou os olhos e olhou para ela. Com a ponta dos dedos, ele deu leves batidinhas na mão da garota, como se a tranquilizasse. Sem sequer lançar outro olhar para Kayra, ele envolveu os ombros da jovem e virou-se para sair.
Do começo ao fim, Vinicius se comportou como um magnata sendo abordado por um estranho em uma festa. Frio, mas educado.
Parecia que Kayra havia se preocupado à toa.
No exato momento em que os dois se cruzaram, uma voz extremamente baixa e carregada de uma leve frieza ecoou no ouvido da Kayra:
— Tiazinha, que bom revê-la.
Aquela voz, suave e lenta, parecia o sussurrar de uma serpente. Fria e pegajosa, deslizou pela espinha de Kayra, provocando um arrepio gelado que a congelou por um instante.