Liam
O vento daquela noite não perdoava. Gélido, cortava a pele como pequenas lâminas invisíveis. A varanda estava perfeita — velas tremulando, as estrelas expostas como se estivessem aqui apenas para mim e para ela. Mas quando olhei para Kyra, percebi o erro: o pijama fino, quase transparente sob a luz amarelada, denunciava que ela tremia levemente, tentando disfarçar.
Ela nunca pede nada. Nunca reclama. Prefere sofrer em silêncio, como se não tivesse o direito de existir de verdade. Isso me