Mundo de ficçãoIniciar sessãoEvelyn
Eu deveria estar escolhendo flores para o casamento. Em vez disso, estava sentada diante dos pais do homem que amava, observando um cheque de dez milhões de dólares repousar sobre uma mesa de mogno. Meu coração batia tão forte que eu conseguia ouvir cada pulsação. Melissa Von Strauss empurrou o cheque em minha direção. — Pegue o dinheiro e desapareça. Por alguns segundos, achei que tinha ouvido errado. — Desculpe? — Você ouviu perfeitamente — respondeu ela. — Dez milhões de dólares para deixar Hagen em paz. Minhas mãos começaram a tremer. Eu olhei para Otto Von Strauss esperando encontrar um pouco de humanidade em seu rosto. Não encontrei. Apenas desprezo. — Isso é uma piada? — Não fazemos piadas com dinheiro, senhorita Moore — respondeu Otto. Aquela palavra. Senhorita. Não futura nora. Não Evelyn. Apenas uma estranha. Uma intrusa. Engoli em seco. — Eu amo seu filho. Melissa soltou uma risada amarga. — Amor? Ela me observou da cabeça aos pés. Como se estivesse avaliando uma mercadoria barata. — Você é bonita, Evelyn. Muito bonita. Mas beleza desaparece. O que mais tem a oferecer ao meu filho? A pergunta me atingiu como um tapa. — Eu... — Dinheiro? Não tem. Ela levantou um dedo. — Status? Não tem. Outro dedo. — Nome de família? Também não. Meu rosto queimou de vergonha. — Eu trabalho... — Como secretária — interrompeu ela. — Enquanto Hagen foi criado para comandar um império. Cada palavra era cuidadosamente escolhida para me ferir. E estava funcionando. Porque uma parte de mim já tinha feito aquelas mesmas perguntas. Será que eu realmente pertencia ao mundo dele? Será que um homem como Hagen poderia ser feliz ao lado de alguém como eu? Mas então eu lembrava do jeito que ele me olhava. Do jeito que segurava minha mão. Do jeito que sorria quando falava do nosso bebê. E todas as dúvidas desapareciam. — Hagen me ama. Melissa cruzou os braços. — Não. Hagen se sente responsável. Meu coração apertou. — Isso não é verdade. — É exatamente a verdade. Ela apontou para minha barriga. — Você engravidou e ele decidiu fazer a coisa certa. As lágrimas começaram a arder em meus olhos. — Eu nunca dei golpe da barriga. — Claro que deu. — Não! Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. — Eu o amo! O silêncio tomou conta da sala. Eu senti as lágrimas escorrerem. Mas não me importei. Porque aquela era a verdade. Eu amava Hagen. Com todo o meu coração. — Nós nos apaixonamos — falei. — E ele me pediu em casamento porque quis. Otto finalmente se pronunciou. — Meu filho é um homem honrado. — Sim, ele é. — Honrado demais para abandonar uma criança. A dor atravessou meu peito. Eles realmente acreditavam naquilo. Ou talvez apenas precisassem acreditar. Porque era mais fácil me transformar em vilã do que aceitar que o herdeiro dos Von Strauss tinha escolhido uma mulher comum. Levei uma das mãos à barriga. — Este bebê é neto de vocês. Melissa não demonstrou qualquer emoção. — Não para mim. Senti o ar desaparecer dos meus pulmões. — O quê? — Eu jamais reconhecerei essa criança. As lágrimas caíram livremente. — Como pode dizer isso? — Porque é a verdade. Ela se inclinou para frente. Seus olhos eram frios. Cruéis. — O sangue dos Von Strauss não deve se misturar com pessoas como você. Por um instante, achei que fosse desmaiar. Meu bebê. Ela estava falando do meu bebê. Como se fosse algo impuro. Como se não fosse uma criança inocente. Como se não carregasse metade do sangue deles. Meu coração se partiu. Mas algo dentro de mim também despertou. Algo que se recusava a continuar ajoelhado. Eu me levantei. Limpei as lágrimas. E encarei os dois. — Só existe uma forma de eu desistir desse casamento. Melissa arqueou uma sobrancelha. — Qual? Respirei fundo. — Hagen precisa olhar nos meus olhos e dizer que não me ama. Nenhum dos dois respondeu. — Se ele disser isso, eu vou embora. Minha voz tremia. Mas continuei. — Vou desaparecer da vida dele para sempre. Olhei para o cheque. Depois para eles. — Mas enquanto ele me amar, eu não vou abandonar o homem que escolhi para passar o resto da minha vida. O silêncio ficou pesado. Assustador. Então Otto se levantou lentamente. Um sorriso estranho surgiu em seu rosto. Um sorriso que fez minha pele arrepiar. — Muito bem. Ele ajeitou os punhos do paletó. — Então prepare-se. — Para quê? Seu olhar encontrou o meu. Frio. Implacável. — Para entrar no inferno. Naquele momento, não compreendi suas palavras. Mas anos depois... Eu descobriria que aquele tinha sido apenas o começo.






