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Capítulo 3 — A Mãe do Meu Filho

Hagen

Assim que entrei no escritório da mansão, percebi que meus pais estavam me esperando.

Meu pai estava de pé diante da janela.

Minha mãe permanecia sentada em uma poltrona, segurando uma taça de vinho.

Nenhum dos dois parecia feliz.

Na verdade, pareciam prontos para uma execução.

— Então? — perguntou Otto. — Vai mesmo levar essa palhaçada adiante?

Suspirei.

Já sabia exatamente do que se tratava.

— Se está falando do meu casamento, sim.

Meu pai soltou uma risada curta.

— Ótimo. Então você já conseguiu o que queria.

— O que eu queria?

— Nos afrontar.

Minha mãe colocou a taça sobre a mesa.

— Você passou dos limites, Hagen.

Seu tom estava carregado de decepção.

— Sua mãe sempre sonhou com seu casamento — continuou meu pai. — Um evento grandioso. O casamento do século. Empresários, políticos, aristocratas... o mundo inteiro falando dos Von Strauss.

Melissa fechou os olhos por um instante.

— Eu passei anos imaginando esse dia.

Quando voltou a falar, sua voz estava amarga.

— E agora preciso assistir você se casar com uma mulher que não tem educação, cultura ou posição social.

Meu maxilar travou.

— Não fale dela dessa forma.

— Por quê? Estou mentindo?

Ela se levantou.

— Além da beleza, o que essa garota tem a oferecer?

Permaneci em silêncio.

— Organizar sua agenda?

A provocação foi seguida por uma risada.

— É só isso que ela sabe fazer.

Meu pai caminhou até uma fotografia sobre a estante.

Uma foto antiga.

Eu e Isabela Hall durante um evento beneficente.

— Olhe para Isabela.

Revirei os olhos.

Lá vinha aquilo de novo.

— Bonita. Inteligente. Refinada. Herdeira de um dos maiores impérios imobiliários do país.

— Pai...

— Essa era a mulher que deveria estar ao seu lado.

Minha mãe concordou imediatamente.

— A nora que sempre sonhei ter.

Ela apontou para mim.

— Não essa mulher sem nome. Sem posição. Sem nada.

Respirei fundo para não perder a paciência.

— Já chega.

Mas eles continuaram.

— Você ama essa mulher? — perguntou meu pai.

A pergunta ficou suspensa no ar.

Por um segundo.

Dois.

Três.

— Responda.

Meu silêncio pareceu responder por mim.

Otto sorriu.

Um sorriso cruel.

— Alguma vez você a apresentou aos seus amigos?

Meu estômago se apertou.

— Pai...

— Alguma vez levou Evelyn para um jantar de negócios?

Não respondi.

— Alguma vez a colocou ao seu lado em eventos importantes?

O silêncio voltou.

Pesado.

Incômodo.

Minha mãe cruzou os braços.

— Porque no fundo você sabe.

Levantei os olhos.

— Sei o quê?

— Que ela não pertence ao seu mundo.

Aquelas palavras me irritaram.

Mas, pela primeira vez, não consegui responder imediatamente.

— Você tem vergonha dela — continuou Otto.

— Isso não é verdade.

— Tem medo que ela o envergonhe diante dos seus amigos.

— Chega!

Minha voz ecoou pelo escritório.

O silêncio tomou conta do ambiente.

Respirei fundo.

Já estava cansado daquela discussão.

— Eu tomei minha decisão.

Os dois me encararam.

— Não vou cancelar o casamento.

Minha mãe fechou os olhos.

Meu pai balançou a cabeça.

— E por quê?

Olhei para eles.

— Porque Evelyn é a mãe do meu filho.

Por alguns segundos ninguém falou nada.

Então Otto começou a rir.

Uma gargalhada alta.

Debochada.

— Você ouviu isso, Melissa?

Minha mãe não respondeu.

— Nem você consegue dizer que ela é a mulher da sua vida.

A risada desapareceu.

— Você a vê como a mãe do seu filho.

Suas palavras me atingiram em cheio.

— Não é a mesma coisa.

— É exatamente a mesma coisa.

Meu pai se aproximou.

— Um homem apaixonado fala da esposa.

— Um homem apaixonado fala da mulher que ama.

Ele apontou para mim.

— Você só fala do bebê.

A raiva queimou dentro do meu peito.

— Acaba logo com isso — continuou ele. — Ainda há tempo.

Minha mãe enxugou discretamente uma lágrima.

— Você está me destruindo, Hagen.

Fechei os olhos.

— Mãe...

— Se levar esse casamento adiante, não espere me ver lá.

Abri os olhos.

Ela estava falando sério.

— Não vou compactuar com essa humilhação.

Meu coração afundou.

— E não espere que eu chame essa mulher de nora.

O escritório ficou em silêncio.

Eu já esperava por aquilo.

Talvez por isso não tenha doído tanto quanto deveria.

Ou talvez eu estivesse apenas cansado.

Muito cansado.

Olhei para os dois.

— Eu já estava preparado para essa resposta.

Peguei meu paletó.

— Boa noite.

— Hagen! — chamou minha mãe.

Mas eu já estava caminhando para a porta.

Porque, se permanecesse ali por mais um minuto, acabaria dizendo coisas das quais me arrependeria.

E enquanto deixava o escritório, uma pergunta ficou ecoando em minha mente:

Por que eu não consegui dizer que amava Evelyn?

A resposta me acompanhou até tarde naquela noite.

E eu ainda não estava pronto para encará-la.

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