O loft estava silencioso após a partida de Giorgio, mas a eletricidade do quase beijo ainda parecia estalar nos cantos da sala. Ísis caminhou lentamente até o centro do ateliê, parando diante da grande tela que permanecera escondida por tanto tempo. Com um movimento decidido, ela puxou o lençol.
A obra não era apenas uma pintura; era uma confissão. Tons de azul profundo se misturavam a laranjas incandescentes e toques de ocre, criando uma forma abstrata que, para um olhar atento, revelava o entrelaçar de dois corpos. Era a materialização do calor que ela sentira minutos atrás — e da lembrança que a assombrava há uma década.
Ao olhar para as pinceladas, Ísis foi sugada pelo vácuo do passado.
Flashback: Dez anos atrás
O sótão da galeria Buonavitta estava abafado, mas nenhum deles se importava. O chão estava forrado com mantas velhas e lençóis brancos salpicados de respingos de tinta. O cheiro de óleo de linhaça misturava-se ao suor doce da juventude. Giorgio e Ísis haviam acabado de com