Mundo de ficçãoIniciar sessão
HOLLY
“Holly, querida. Posso te pedir um favor esta noite? Sei que já deu o seu horário de ir embora, mas eu havia me esquecido completamente do meu aniversário de casamento.” A Sra. Evelyn entrou em sua casa correndo, colocando as chaves sobre o aparador e uma pequena bolsa em uma poltrona da sala de estar, antes de ir em direção ao seu filho.
Eu estava com Kevin, sentada em um tapete assistindo ele a construir um prédio de lego com peças grandes, ele era um garotinho maravilhoso de apenas cinco anos que eu ajudava a cuidar desde os seus seis meses de vida.
“Olha mamãe, é igual o prédio do papai.”
A Sra. Evelyn se aproximou e deu um abraço forte no menino, se virando para mim.
“Desculpe, Holly. Não te cumprimentei direito.” Ela estendeu uma mão em minha direção, enquanto abraçava o seu filho.
“Imagina, Sra. Evelyn. Está tudo bem.” Peguei em sua mão para tranquilizá-la.
Se separando de Kevin, ela olhou para a estrutura que ele montava tão alegremente.
“Ual! Que prédio alto. Acho que vou comprar uma casa nesse edifício.”
Ele apenas deu alguns pulos e sorriu, continuando a acrescentar mais peças à sua obra de arte.
“Mamãe, a tia Holly pode vir morar com a gente?” Ele perguntou admirando o seu prédio de lego.
“Mas é claro. O quarto dela vai ser ao lado do seu. O que acha?” A Sra. Evelyn sorriu para mim e só pude retribuir o sorriso. “Agora a mamãe precisa falar com a tia Holly um minutinho, mas já volto. Tudo bem?”
Kevin balançou a cabeça e disse que construiria o meu quarto ao lado do dele como a mãe havia falado. Então a Sra. Evelyn me puxou para o canto da sala.
“Holly, eu me esqueci completamente do meu aniversário de casamento. Quando Aidan me ligou eu já estava quase chegando em casa. Ele está falando de me levar nesse novo restaurante do cliente deles há uma semana e disse que passará me buscar daqui uma hora. Eu nem separei uma roupa para ir.” Ela estava aflita, passando a mão pelo rosto. “Eu sei que a gente não combinou antes, mas você consegue ficar com o Kevin até voltarmos? Eu peço para o Roberto te levar em casa.”
Roberto era o motorista do Sr. Aidan. Como ele sempre estava em alguma reunião ou visitando algum canteiro de obra, era muito difícil vê-lo na direção. A Sra. Evelyn já gostava de se sentir livre e dirigir o próprio carro, como médica os seus horários não seguiam uma agenda como os do marido.
“Hoje eu tinha um compromisso, mas posso ver se consigo chegar um pouco mais tarde.” Falei pegando meu celular no bolso.
Era sexta-feira e tinha marcado de sair com William, meu namorado. Um amigo dele iria se apresentar com a banda em um barzinho, mas iria começar bem mais tarde. Pensei que dependendo do horário que a Sra. Evelyn voltasse daria tempo de assistir eles tocando.
“Não quero te atrapalhar Holly. Se você já tem compromisso eu posso ver se consigo outra pessoa para ficar com o Kevin.”
A Sra. Evelyn pegou o celular para ligar para alguém também.
“Vamos ver o que a gente consegue.” Eu sorri para ela. “Agora suba se arrumar que eu fico com o Kevin, senhora. Vai dar tudo certo.”
Enquanto a mãe de Kevin se arrumava, eu estava olhando ele brincar. Era muito fofo ver como esse tamanhinho de gente tinha crescido tanto e agora até inventava histórias para suas brincadeiras. Ao mesmo tempo que o observava, tentei ligar pela terceira vez para o William. Ele iria me buscar às nove em casa, mas já eram oito e meia e eu ainda estava na residência dos D. Sierras.
“Holly, por favor, poderia me ajudar com o zíper?” Evelyn falou descendo as escadas descalça e segurando pelo busto um vestido midi, tomara que caia, vermelho. Seu cabelo loiro acinzentado com um ondulado natural estava preso em um coque com alguns fios soltos para dar um charme especial.
“A senhora está linda.” Fui ao seu encontro para ajudá-la a fechar o zíper.
“Obrigada querida.” Ela virou de costas para mim. “Holly. Eu consegui falar com o meu cunhado e ele vai chegar aqui às nove, junto com meu marido. Ficaria muito tarde para você?”
Evelyn é uma pessoa muito boa, mas com compromissos ela era terrível. Sempre se esquecia de datas importantes e às vezes me colocava nessas enrascadas. Não era por querer, acredito que o trabalho dela como médica a deixava um pouco perdida na vida pessoal. A sua dedicação pelos seus pacientes é tão grande ao ponto dela se esquecer um pouco de si mesma. E digo isto, pois se ela quisesse parar de trabalhar, ela poderia. O Sr. Aidan D. Sierras é herdeiro de uma construtora de prestígio em nossa cidade. O problema aqui não era dinheiro, com toda certeza. Ela realmente ama o que faz.
Agora, o meu problema, é que já eram oito e meia e o meu compromisso seria às nove. Bem que o irmão do Sr. Aidan poderia chegar antes. Eu olhava a todo instante para o meu relógio e para melhorar a situação, Willian, não atendia o bendito telefone, então deixei duas mensagens para ele. A primeira perguntando o que ele estava fazendo e a segunda para avisá-lo que eu iria atrasar, pois ainda estava no serviço. Parando para pensar nisso, eu me pergunto o por que me submeto a esse tipo de situação. Não por ter que fazer hora extra, eu vou receber por isso, mas porque eu deveria correr atrás de alguém que me convidou para ver essa apresentação idiota? O interesse deveria ser dele de saber se ainda quero ir ou não. Nessas horas, o William me faz sentir uma pessoa incrivelmente patética.
Acredito que a única coisa que me distrai dessa raiva que me consome o âmago é saber que, enfim hoje, irei conhecer o misterioso tio do Kevin. Sem segundas intenções, é claro! Se trata apenas de uma curiosidade saudável, afinal fazem cinco anos que escuto histórias a respeito desse homem.
“Eu não consegui falar com o meu namorado ainda, mas pode terminar de se arrumar Sra. Evelyn. Hoje é um dia muito especial! Eu posso esperar eles chegarem.” Respondi sorrindo, alimentando aquela leve curiosidade.
“Certeza? Já estou quase pronta.”
“Tenho sim. Eu ainda irei jantar com o Kevin antes de ir.”







