Mundo de ficçãoIniciar sessãoHOLLY
Assim como a Sra. Evelyn, eu também amo meu trabalho e sei que muitas vezes acabo me doando demais. Meu namoro com William está quase por um fio, mas sei que não só é devido a minha rotina caótica como ele diz, apesar de tomar um bom tempo da minha vida, para mim estar com o Kevin é tão leve e tranquilo. Já precisei dormir na residência dos D. Sierras diversas vezes para cuidar dele, geralmente, pelo fato da Sra. Evelyn estar em alguma cirurgia e o Sr. Aidan voltar tarde quase todos os dias, mas não reclamo, pois eles me pagam essas horas corretamente e nesses cinco anos trabalhando para a família, não atrasaram um pagamento. Sem contar, que eles não têm nenhuma rede de apoio por perto, pois a Sra. Evelyn é filha única e os pais moram em outra cidade. A única pessoa que está mais presente na vida de Kevin é o tio, irmão do Sr. Aidan.
Pelo que fiquei sabendo, quando o Sr. Aidan decidiu se casar com a Sra. Evelyn, a sua avó, em um ato de protesto, cortou relações com o neto e fez a família se afastar também. A única coisa que ela não tirou dele foi o direito de trabalhar na construtora, afinal o Sr. Aidan e o irmão herdariam o seu império. Contudo, ela o fazia trabalhar como um condenado e por esta razão, ele sempre viajava com a família nas suas folgas, pois durante os outros dias, ele quase não existia naquela casa. A Sra. Evelyn aguentou muita coisa. Aquela velha senhora queria que ela desistisse do casamento, mas os dois prometeram se apoiar até que os ânimos se acalmassem. O que ainda não aconteceu, infelizmente. E o único que se rebelou contra a autoridade da avó, foi o irmão do Sr. Aidan.
O engraçado é que nunca me encontrei com ele aqui na residência. Já vi fotos dele no álbum de família, mas são fotografias antigas, da infância e adolescência. Acredito que não o vi, pois nossos horários simplesmente não batem. Quando fico sabendo que ele veio visitar o Kevin, é sempre acompanhado do Sr. Aidan na volta para a casa e, na maior parte das vezes, eu vou embora assim que a Sra. Evelyn chega do hospital, que é antes do marido retornar.
Por incrivel que possa parecer nunca tive o interesse de saber quem ele era, mas saber que ele estará aqui hoje, despertou o meu lado curioso.
Despois de nos falarmos, a Sra. D Sierras subiu correndo para colocar o perfume e pegar uma bolsa que combinasse com o salto. Quando escutei o trinco da porta, eu estava na cozinha com o Kevin. Vozes masculinas vinham do hall de entrada da casa. Eram duas vozes, um pouco semelhantes, mas havia uma mais rouca e séria. Uma delas reconheci como sendo o Sr. Aidan, era divertida e casual, a outra só podia ser do irmão dele. Kevin saiu correndo, o que me fez desligar o fogão e ir atrás dele.
O pequeno príncipe saiu em disparada pelo corredor e chegando perto do tio, se lançou em seus braços. O homem de cabelo castanho claro levantou o menino como se fosse um bonequinho de pano, leve como uma pluma. Não pude ver o rosto dele, pois estava de costas, mas parecia estar rindo. Eu os observava do final do corredor, na divisória da cozinha. Então o Sr. Aidan me viu.
“Boa noite Holly. Vocês passaram bem o dia?” Como sempre muito gentil e respeitoso.
O irmão se virou com a criança no colo e meu primeiro pensamento foi... Nossa!
Eu já achava o Sr. Aidan alto, mas não era muito difícil encontrar pessoas maiores que meus um metro e sessenta. Porém este ganhou do irmão em disparada. Se o Sr. Aidan tinha um e oitenta de altura, ele chegava perto de um metro e noventa e três. Muito específico?
Tentei não demonstrar minha admiração, no bom sentido.
“Boa noite Sr. Aidan. Sim, foi bem tranquilo..” Olhei para a direção do homem à sua frente, mas não pude manter o olhar.
Parecia que eu estava vendo um modelo de revista de moda masculina se materializando na minha frente. Ele vestia um terno italiano na cor grafite com colete e camisa branca, um pouco desabotoada. Seu cabelo era comprido em cima, jogado para os cantos. Será que ele mesmo escovava o cabelo? Parecia que ele tinha saído de um salão. A barba era curta e bem aparada, sua pele branca levemente bronzeada e o seu perfume era bem intenso, amadeirado. Eu podia sentir de longe. Era um cheiro de homem bonito. Tem perfume que tem esse efeito, mas dessa vez o combo veio completo.
“Esse é meu irmão Arturo.” O Sr. Aidan apontou para o irmão e depois para mim. “E está é Holly, Holly Davis, a nossa babá, que a gente tanto fala.”
Eu corei por um momento, pois é estranho afirmarem na sua frente que falam de você para outras pessoas.
“Espero que sejam coisas boas.” Sorri, enxugando minhas mãos no pano de prato que acabei trazendo comigo.
Enquanto escutava nossa interação, Arturo parecia me julgar com aqueles olhos azuis como o céu de outono.
“Acredite, são coisas boas sim. A Eve não cansa de falar a seu respeito para as amigas.” O Sr. Aidan completou.
“Para as amigas?” O homem direcionou sua voz grave para o seu irmão, com uma sobrancelha erguida e, em seguida, apenas acenou com a cabeça para me cumprimentar, mantendo o rosto sério. Então fiz o mesmo, não o medi com os olhos como ele fez, mas apenas assenti com a cabeça.
“Bom, preciso subir. Tem uma dama me aguardando.” O Sr. Aidan deu um beijo na cabeça do filho e seguiu em direção à escada. “Arturu, fique à vontade. Pode escolher o brinquedo que você quiser.” Ele deu um tapa nas costas do irmão e saiu dando risada.
Eu não pude conter um leve sorriso com a provocação. Coisa de irmãos.
“Melhor você correr ou vai perder a reserva.” Arturo falou com sua voz grave e grossa, então se dirigiu para o menino em seu colo. “Quer brincar do que hoje campeão?”
Como num passe de mágica as suas feições se tornaram brandas e sua voz mais acolhedora quando ele se dirigia ao sobrinho.
“Eu vou comer primeiro tio. Você quer comer com a gente?”
Nesta hora, eu congelei. Eu não tinha preparado nada muito especial, apenas esquentei o que havia sobrado do almoço. E se ele resolvesse jantar também? Eu não era muito boa na cozinha e nem tinha tempo para isso.
“Eu agradeço, mas não estou com fome, carinha.” O Sr. Arturo colocou o Kevin no chão e continuou. “Quer que eu te ajude?”
“Eu já sou grande, tio. Não precisa.” Kevin falou correndo em minha direção. “Tia, vamos comer?.”
Eu me agachei para receber o seu abraço, quando a voz grave de Arturo soou em minha direção.
“Tia?”







