Fechei os olhos por um instante e uma verdade amarga me esmagou por dentro.
Eu nunca me perdoaria se algo acontecesse com ela por minha culpa.
O que era… ironicamente patético.
Porque eu queria fazê-la sofrer.
Eu queria que ela provasse do próprio veneno.
Eu queria puni-la.
E, ao mesmo tempo… eu estava morrendo de medo de perdê-la.
Era confuso.
Doentio.
Contraditório.
Mas Ema me deixava assim.
Confuso.
Fora de mim.
Maluco.
Apaixonado.
O barulho do elevador cortou o silêncio, e eu ergui a cabeça no mesmo instante.
As portas se abriram.
Ema entrou no hall.
Com um enorme sorriso.
Eu fiquei alguns segundos sem entender.
Como ela conseguia sorrir depois de me deixar em pedaços aqui dentro? Depois de me fazer imaginar o pior? Depois de me torturar com o silêncio?
Aquilo foi o estopim.
Minha raiva explodiu como uma bomba.
Eu fui até ela a passos duros e a agarrei pelos braços antes que ela pudesse dizer qualquer coisa.
— ONDE É QUE VOCÊ ESTAVA?
Minha voz ecoou pelo apartamento, alta demais,