Naquelas semanas, tudo parecia perigosamente certo.
Não havia mais a sensação de caminhar sobre algo frágil, nem o cuidado excessivo de medir cada palavra, cada gesto. Eles tinham parado de disputar espaço. Sem perceber exatamente quando, encontraram um tipo de acordo silencioso, não aquele desenhado na mesa do jantar, mas outro, muito mais orgânico, construído no corpo, na repetição e na rotina.
Ana vinha quase todas as noites.
Não havia convites formais nem mensagens anunciando chegada. Si