AS CINZAS E O SILÊNCIO
Leonard voltou para casa ao final da tarde, segurando a urna em suas mãos com um cuidado quase reverencial, como se carregasse o peso do mundo sobre seus ombros cansados.
— A urna, delicadamente trabalhada em madeira escura, refletia de maneira imperturbável a luz do sol poente, mas seu interior continha a despedida de alguém que ele amava profundamente.
Ele não permitiu que ninguém o seguisse até a biblioteca, o santuário onde frequentemente encontrava refúgio nas páginas de livros que o transportavam para longe da dor.
— Hoje, no entanto, a biblioteca tornou-se um cárcere, um espaço que o isolava não apenas fisicamente, mas emocionalmente também, como se as paredes estivessem imbuídas do eco das memórias de Ellen.
Rejeitando conversas, toques e confortos que poderiam se assemelhar a uma sombra de conforto, caminhou em silêncio pelo hall.
— Cada passo parecia pesadamente carregado de saudade, subindo dois degraus, virando à direita e finalmente entran