POV HEITOR
Três meses.
Noventa dias inteiros.
Dois mil cento e sessenta horas.
E cada uma delas pesando na minha nuca como uma sentença.
A mansão está silenciosa demais. Ecoa. Até o som do gelo batendo no copo parece um fantasma se arrastando pelo chão.
Whisky desce queimando. Mas não é suficiente. Nunca é suficiente.
As luzes da sala estão apagadas. Deixo só o abajur aceso, aquela luz amarela que deixa as coisas tristes ainda mais tristes. Tem garrafas vazias jogadas no tapete persa. A grava