A luz do meio-dia entrava pelas frestas das cortinas pesadas quando Anne finalmente abriu os olhos. O quarto era imenso, mobiliado com madeira escura e tecidos em tons sóbrios; por um momento, ela não reconheceu onde estava. As lembranças da noite anterior voltaram em ondas — a delegacia, o sangue, a mão estendida de Charles.Ela se sentou devagar, sentindo o corpo pesado. Alguém havia deixado um vestido limpo sobre a cadeira perto da cama, e uma bandeja com frutas, pães, queijos e chá estava sobre a mesa de cabeceira. Anne comeu pouco, o estômago ainda fechado, mas o chá quente ajudou a acalmar os nervos.Foi quando a porta se abriu.Charles Durdday entrou com passos silenciosos. Ele vestia uma camisa social azul-clara sem gravata, os dois primeiros botões abertos, combinada com calças escuras de corte impecável. O cabelo ainda estava levemente úmido, e ele parecia cansado — mas, mesmo assim, havia algo na postura dele, na forma como a luz incidia sobre os traços maduros do rosto, qu
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